Cinco mil pessoas prestigiaram o Festival de Cinema da Serra Catarinense

Serra Catarinense – A exposição “Catadores – registros de uma classe invisível”, do fotógrafo lageano Marcio Machado, permanece no 2º piso do Bloco 2 da Uniplac até sexta-feira, dia 20 de setembro. Desde 2005, Márcio fotografa espetáculos, paisagens, pessoas. A partir deste fotodocumentário, realizado nos anos de 2017/2018, ele busca criar algum impacto social, olhar pontual e marginal sobre os nós da sociedade. O que está a luz e a sombra na sociedade não é regido de igual forma como na natureza, por fenômenos naturais mas, segundo condições econômicas, preconceitos. Os catadores de reciclados encontram se nessa posição à sombra da sociedade e é o que os caracterizam como de igual valor, estar na condição de invisibilidade. “Este projeto busca conhecer essas pessoas, registrar e mostrar quem são, seu modo de vida, sua relação com o trânsito e com a sociedade, sua sobrevivência e consciência ecológica, tendo em vista a invisibilidade desse ofício”, explica Marcio Machado.

A exposição “Expedição Brasil”, de Renan Rosa, permanece no CAV- UDESC, até o dia 20. O jovem fotógrafo catarinense percorreu mais de 50 países nos últimos 13 anos, e apresenta em seu trabalho, retratos singulares de culturas, tradições e costumes, integrando um mosaico que intercala as origens estrangeiras às raízes miscigenadas brasileiras, além-fronteiras. Em 2016, ele percorreu todas as regiões do Brasil com o objetivo de registrar a população brasileira em sua forma mais genuína. Os costumes, os trejeitos e as histórias encontradas pelo caminho são transformadas em imagem e poesia através das lentes do fotógrafo-viajante, resultando no livro Expedição Brasil. Nesta exposição, as vinte imagens selecionadas são uma breve mostra do material produzido nestes nove meses de viagem.

Espetáculo nas atividades paralelas

A fotografia foi um espetáculo à parte no Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense. A Projeção Fotográfica denominada “Fotógrafos do Brasil” encantou o público presente na abertura oficial do evento, no dia 11, no Centro Cultural Vidal Ramos. Fotos de paisagens de seis fotógrafos, cuidadosamente selecionadas pelo biólogo e fotógrafo Flávio Veloso, foram projetadas. Além disso, o fotógrafo ministrou a palestra “Fotografia de Paisagem: Abrindo a Caixa Preta”, na sexta, dia 13, na Praça do Céu. Na oportunidade, utilizou imagens do Rio de Janeiro, do Parque Nacional da Capivara (Piauí), Ubatuba (São Paulo) e Florianópolis.

“A palestra foi muito legal, no públicpo havia bastante adolescentes, eu consegui falar de fotografia paisagem, sem falar em obturador e diafragma, sem falar em Iso, sem ficar entrando muito no peso da técnica. Para o adolescente isso é ótimo, fica mais atrativo, eu me agarrei muito em composição, luz e planejamento”, informa Veloso. As imagens de Veloso ilustram publicações nacionais e internacionais como Guia 4 Rodas (e suas variações), Viagem & Turismo, Bravo, Veja, Veja Rio, JungleDrums, TAM nas Nuvens, The Age, Traveller, Sydney Morning Herald, O Globo entre outras; além de atender as principais agências de publicidade tendo imagens em peças de clientes como SBT, Gafisa, Bradesco, Citibank, BG Group, Bogner, Viação Útil, Boing, Emirate Air Lines, TIM, SkyScanner e Comite Olímpico Internacional (COI). É autor de uma das fotos mais caras já vendida para uso comercial.

Além das exposições “Catadores – registros de uma classe invisível”, e “Expedição Brasil”, dentro das atividades paralelas do festival, ocorreu também a exposição “Brasileiros”, de Araquém Alcântara, que permaneceu no Centro Cultural Vidal Ramos no período de 10 a 14 de setembro. Araquém Alcântara (Florianópolis/SC, 1951) é considerado um dos mais importantes fotógrafos de natureza do Brasil e do mundo. Dedica-se desde 1970 à documentação do povo e da natureza brasileira, com um trabalho sistemático de documentação dos parques nacionais brasileiros. Suas imagens são um manifesto em defesa da causa ecológica. Entre suas principais obras está o livro Terra Brasil de 1998, Pantanal, 2005, Mar de Dentro, 2006, Amazônia, 2013 e Jaguaretê em 2018.

Participação de 5 mil pessoas

O diretor do Ficasc, Dotty Luz, disse que o festival superou as expectativas: “esperávamos inicialmente, um público de 3 mil pessoas e chegamos a 5 mil pessoas, a participação foi muito boa”. E completa: “Tivemos alguns convidados especiais como a ministra conselheira da Embaixada da Noruega, Camilla Høgberg-Hoe, o assessor do Consulado Geral da Noruega, Gabriel Francisco, o diretor geral da Spectrum/TGS, empresa de origem norueguesa que patrocinou o Ficasc, João Carlos Correa, e o coordenador Geral de Licenciamento Ambiental – Petróleo, Gás e Portos do Ibama, Antônio Celso Junqueira Borges”.

Foram mais de 60 exibições de cinema, nas escolas, universidades e instituições, com debates, rodas- de- conversa e muita reflexão em torno dos temas degradação ambiental, mudanças climáticas, soberania alimentar, questões urbanas, povos e territórios e esporte de aventura.

Infos: Adriana Palumbo e Ingridt Schulz – Ateliê – Assessoria de Imprensa

Fotos: Raphael Zulianello