Compaixão é o foco da Campanha da Fraternidade 2020

Brasil – Em entrevista à imprensa na sede da Cúria, o bispo de Lages, Dom Guilherme Werlang, nesta quarta-feira de cinzas, explicou o sentido da quaresma e da importância da preparação para a Páscoa neste tempo: “A quaresma é o tempo específico de graça de Deus que nos chama à conversão, de olharmos para nós mesmos e vermos o que precisamos mudar em nossa vida para sermos fiéis discípulos de Jesus Cristo: na caridade, na solidariedade, na partilha, descer do pedestal da arrogância, do orgulho, da vaidade, abrirmos os nossos corações para partilharmos com os necessitados aquilo que Deus fez para todos, e não só para alguns”.

Dom Guilherme Werlang, bispo de Lages

Dom Guilherme explicou que neste ano, aqui no Brasil, a Igreja, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), propõe como tema inspirador para a caminhada quaresmal, “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e isto iluminado pela Palavra de Deus apresentada na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,33-34): “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.

“Sentir e praticar compaixão”

“Os quatro pilares dos exercícios quaresmais que devem nos levar a uma verdadeira conversão do coração e relacionamento com o próximo são, segundo o evangelho de Mateus 6,16-18: Justiça; Esmola, Oração e Jejum. O lema da Campanha da Fraternidade se destaca, “sentiu compaixão”. Sentir compaixão é muito diferente que ter dó de alguém, ter dó, sempre diminui, fere e tira a dignidade da outra pessoa que sofre ou é pobre. Quem tem atitude de dó para com o próximo, o deixa na situação da miserabilidade”.

O bispo ressalta que a compaixão devolve a dignidade, cura, restaura, liberta e tira o sofrimento, a dor e a pobreza do próximo, porque quem pratica a compaixão se coloca no lugar do sofredor ou do pobre e assume para si a dor, o sofrimento ou a pobreza. Compaixão vem de compadecer, quer dizer, padecer (sofrer) com o outro, ou tomar para si o padecimento, a dor e o sofrimento do outro.

Dom Guilherme destaca ainda a questão do meio ambiente: “Neste ano nós vamos refletir a nossa relação fraterna com o outro, com as outras pessoas e também com todo o ecossistema, com todo tipo de vida existente. Dom e compromisso… o que significa dom? dom é dádiva, dom é presente. Nós incluímos essa palavra “dom” no tema, porque hoje, tudo é mercantilizado, tem preço… e um dos grandes problemas da destruição da vida e do planeta terra é exatamente a busca do lucro a qualquer preço. O homem de hoje não está preocupado com a geração futura, mas ele está preocupado se ele vai colher uma tonelada de soja ou de milho a mais, se ele vai vender uma carga de porco a mais… Ele quer saber da conta bancária dele… o homem hoje quer saber se ele vai conseguir lucrar. Por exemplo, em relação ao aquecimento global… os países, especialmente os mais poluidores, não estão nem aí se daqui uns 50 anos a temperatura vai ter aumentado mais 3 ou 5 graus”.

Werlang afirma que mesmo com tantas fontes de energia além do petróleo, se o petróleo der mais lucro, mesmo estragando a camada de ozônio, será essa a fonte utilizada, não estão nem ligando para isso.

“O que nós, Igreja, estamos propondo nessa Campanha da Fraternidade, é a reflexão: a vida é dádiva, é dom, que vem de Deus… Não existe vida que você possa comprar. Nós temos que voltar à gratuidade da vida. Um grande problema que enfrentamos hoje é a banalização da vida. Nossa vida hoje, para uma empresa, vale o quanto produz. Queremos chamar a atenção, que a vida tem um outro valor, independente da produção ou não. Esse é o compromisso, que nós cristãos precisamos assumir a partir da nossa fé: a promoção e defesa da vida, desde a concepção até sua morte natural”, finaliza.

Infos e Foto: Adriana Palumbo Rodrigues