Me perdoe São Quincas

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Seg, 18 de Fevereiro de 2019 17:23

Sábado é sempre oportunidade de boas descobertas e aventuras, entretanto, o dia meio nublado não prometia muita coisa. Mesmo assim nos munimos de agasalhos e saímos para conhecer a Serra da Estrela, a 30 km de Fundão, Portugal, onde estamos.

A paisagem era um presente, uma grata surpresa. Enquanto o carro deslizava pela estrada eu ia me deliciando com os casarios centenários ao mesmo tempo que me sentia em casa. Vendo as velhas taipas serranas, demarcando sítios, casas e aldeias.

A vegetação é um pouco diferente, mas o capim amarelado pelas baixas temperaturas nos levava de volta à São Joaquim. Já o relevo é bastante parecido e a quantidade de pedras impressiona. Nossos campos serranos se parecem com os de Portugal.

O carro deixa a auto estrada e se embrenha por ruelas muitos estreitas delineadas por casarios medievais. Parece que entramos num cenário de filme. A largura das paredes de pedra, as portas de entrada mais baixas do que estamos acostumadas, desnudam um tempo que há muito já se foi, mas que, ainda intactos, testemunham a história de um povo que ama e preserva a sua cultura.

Frequentemente passávamos por senhoras com mais de 80 anos usando os antigos trajes portugueses com longas saias pretas, casacos pesados e lenços amarrados no pescoço.

Saindo deste bairro entramos na parte nova, que tem aí uns 200 anos, e voltamos para nosso tempo. A paisagem agora é delineada por grandes plantações de oliveiras, parreiras de uvas e figos. Mas a vedete por aqui são as muitas variedades de cerejeiras. Fico a imaginar como estarão estes campos na primavera e outono e dá água na boca.

Chegamos embaixo da Serra da Estrela, nosso destino. Enquanto subimos a natureza descortina uma paisagem estonteante! Formações rochosas incríveis nos presenteiam com sua beleza. Vemos restos da neve que caíra há uma semana e, como turistas que somos, descemos do carro para registrarmos aquele momento. Claro, escolhendo os ângulos que favoreceriam a impressão de que estávamos em meio a uma nevasca.

Felizes da vida continuamos a subir e fomos presenteados pela imagem de uma escultura de uma santa, a Senhora da Estrela, em uma rocha enorme em meio a mata. Paramos para as fotos e voltamos ao destino. A serra de 2 mil metros de altitude nos surpreendia com lagos e cachoeiras congeladas e com uma neblina suspensa capaz de tirar o fôlego.

Mas o mais belo presente estava no topo. Toda a superfície coberta por uma grande camada de neve e por pontos multicoloridos vindo das roupas de centenas de pessoas que esquiavam nas pistas próprias ou simplesmente brincavam no gelo. Ali não se distinguia quem era criança, pois brincar era a ordem do dia.
 
Bonecos de todos os tamanhos eram abandonados tão logo todos os ângulos fossem fotografados e logo tomados como seus por outros grupos ávidos por uma boa imagem. E as guerras de bolas de neve? Uma brincadeira obrigatória! Quem nunca quis estar neste campo de batalha? Cheguei à conclusão de que realmente nunca havia presenciado uma nevasca de verdade! Me perdoe São Quincas!

De volta ao hotel tinha a sensação de dever cumprido, afinal, turista que se prese tem que fazer descobertas todos os dias.
 
Suzi Aguiar, de Portugal 
 
 
 
 
 
 

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