Brasil e Portugal, duas pátrias uma só família

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Qua, 06 de Março de 2019 14:48
Era o ano de 1500 quando Cabral aportara as caravelas na Ilha de Vera Cruz, levando na bagagem toda cultura de seu país. Muito além da língua, acatamos seus costumes, vestuário e alimentação.
 
Mas para desbravar e povoar tanta terra muitos outros povos se juntaram aos portugueses e a miscigenação de raças nos deu oportunidade de formar nossa própria cultura. Entretanto, nos vejo pouco preocupados em guardar e reverenciar nossa própria história, como aqui. Mas somos um país jovem e temos muito a aprender.

Passando uma temporada em Portugal, com o olhar muito atento, vou fazendo as devidas comparações. E, nada surpresa, encontro aqui em Fundão, interior do país, muitas semelhanças com a região serrana. A vegetação está muito seca devido as baixas temperaturas. A neve cai a 30 km daqui e o céu muito azul das manhãs, nos lembram os dias de geada. Aqui também há gila, mas como sobremesa o arroz doce é vedete.

A beleza das flores está restrita às praças, já que não há jardins nas casas que, em sua maioria, são geminadas e construídas no limite dos terrenos. É comum ver brincos de princesa, copos de leite, hortênsias, dálias, azaleias e camélias. Os pomares de cerejas, pêssegos e ameixas no entorno da cidade já começam a florir e nos fazem sentir vontade de voltar para casa.

As pessoas são muito gentis e amáveis. Gostam de prestar ajuda e dar informações. Se esforçam para compreender as diferenças da língua e se fazerem entender. Mas, diferentes de nós, são muito literais em suas respostas. Se pergunto “O vinho é bom?”, terei como resposta “É vinho!”. Se pergunto “Você é português?”, a resposta será sim ou não e a conversa encerra por aí nos deixando no vácuo, já que brasileiro tem o bom hábito de espichar conversa. Uma dica para quem vier a Portugal é pensar exatamente o que quer saber, antes de formular o questionamento.

Entretanto, há outras semelhanças nada agradáveis: a corrupção também está por aqui. A Caixa Geral de Depósitos, maior banco público de Portugal, está em auditoria por ter emprestado mais de 900 milhões de euros sem cumprir os critérios de segurança e os relatórios entregues ao Parlamento não contém os nomes e valores dos grandes devedores. Os noticiários também relatam superfaturamentos em gastos públicos.

Há professores em estado de alerta solicitando aumento de salários; os enfermeiros estão em greve por reformas no plano de carreira e salários e as cirurgias eletivas estão suspensas há mais de quarenta dias; nos Centros de Saúde não há médicos de família suficientes. Existe muita burocracia e demora para se adquirir documentos, além de muita desinformação e má vontade no atendimento ao público.

Isso não é nenhuma novidade para você?

Ora pois! Para mim é! Cá em Portugal os noticiários não diferem das manchetes daí. Cansada de assistir a estes disparates no Brasil, imaginava que na Europa as coisas seriam diferentes, mas nem tanto!

Com muitas semelhanças boas e ruins, constato que Brasil e Portugal são duas pátrias distintas, mas uma só família, afinal, herança a gente recebe de graça. O que levo como lição é que ao voltar para casa serei menos crítica e mais confiante no meu país.
 
Suzi Aguiar, de Portugal 
 
 
 
 
 
 
 
 

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