Especial Educação

Seg, 10 de Maio de 2010 18:40
Foto IlustraçãoIndisciplina, sucesso e fracasso escolar. De quem é a culpa? Família ou Escola?


São Joaquim – O fato que ocorreu recentemente entre uma professora e dois alunos da Escola Rocha Pombo, nos remete a vários questionamentos. O fato virou caso de polícia. Seguindo no rumo da boa prática de jornalismo, reproduzimos trechos das reportagens com fidelidade ao tema e não emitimos interpretações próprias diretamente sobre o incidente.

A partir daí, resolvemos analisar a questão do comportamento escolar em vários ângulos – familiar, escolar, educativo – e fomos a campo, ouvindo opiniões de professores, diretores de escola, pais e profissionais da área pedagógica. Enfim, pessoas com trinta anos ou mais de magistério. O resumo das entrevistas se concentra opinião de “muita liberdade à criança hoje em dia”.

Evidentemente, que está não é uma tese defendida pela matéria, mas provoca outras discussões sobre o tema proposto pelo portal SerraSC. Antes, porém, fizemos algumas pesquisas acadêmicas, sugestões e apresentamos aqui, ao leitor algumas situações. Uma matéria publicada no dia 23 de maio de 2007 na página Online da FACESI, uma instituição mantida pelo Centro de Ensino Superior de Ibiporã, região metropolitana de Londrina, Paraná, relata o seguinte: “De Portugal ao Japão, da África do Sul aos Estados Unidos da América, de facto, em todo o nosso mundo «civilizado», o ensino acadêmico está em crise.
Em Portugal, o problema não está nos professores, como é frequentemente apontado por entidades governamentais e pela sociedade em geral. Salvo casos raros de honesta incompatibilidade na trilogia criança-escola-curso,
o insucesso escolar deve-se, por ordem:

1º) À indisciplina dos alunos, dentro e fora das aulas.
2º) À vida social dos alunos.
3º) À complexidade e carga horária do currículo acadêmico.
4º) O Ministro de Educação esquece-se que os pais, mesmo que o queiram, dificilmente podem apoiar os estudos caseiros dos filhos não só porque têm que fazer uma enorme ginástica gerindo o tempo, conciliando o próprio horário de trabalho com o levar e ir buscar os filhos à escola, como não têm, geralmente, os conhecimentos teóricos exigidos na escola...

Já um trecho extraído de um artigo da Revista Escola, em sua edição n°222 de Maio de 2009, argumenta: “A ligação entre o mau desempenho escolar e "famílias desestruturadas" não é automática. Todos têm condições de se desenvolver e aprender, mesmo os que são criados por parentes, são filhos de pais separados ou os de baixa renda - situações normalmente vistas como definidoras para o fracasso. Se dinheiro no bolso e pais morando em uma mesma casa fossem garantias de sucesso, estudantes nessas condições, sem exceção, deveriam ter um desempenho excepcional.
Relacionar uma questão externa à escola ao desempenho dos alunos só é válido quando existe uma vulnerabilidade real e é necessário o professor fornecer orientação à criança...”  (Consultoria: Cleuza Repulho, secretária de Educação e Cultura do município de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo).

Meios de comunicação, ausência dos pais, valores morais: tudo influencia na educação


Rita: Nos dias atuais, vivemos numa sociedade onde não há informações definidas para jovensDiante destas informações procuramos a gerente regional de ensino da Secretaria de Desenvolvimento Regional de São Joaquim - SDR - Rita de Cássia de Jesus. Ela entende que á sociedade em si e o conflito de gerações vêm desde o início da humanidade. É que a cada década isso vem se acentuando de maneira diferenciada. Rita faz uma comparação com o movimento hippie nos anos 60 e coma atual sociedade. “Nos dias atuais, vivemos numa sociedade onde não há informações definidas para jovens e família formarem perfil comum”, diz ela. Neste sentido, digamos que hoje, temos fácil acesso a bens materiais. Assim, os bens culturais e humanos como relacionamento, saúde, fé, amor e harmonia, estão praticamente desgastados. “Daí a  impressão que hoje os jovens não querem este tipo de relação”, destaca. O problema ainda perdura no fato de que vivemos numa sociedade extremamente consumidora. Rita enfatiza que etapas são puladas por vários motivos, entre eles, o autoconsumo, drogas e corrupção. São conflitos que ocorrem tanto na sociedade civil como na escolar. De fato, hoje, ao acessar um computador com internet, geralmente deparamos com janelas suspeitas que, às vezes levam a informações muito distorcidas, como pedofilia, assassinatos e violência em geral. A auxiliar de escritório Dilma de Fátima Nunes, vai um pouco mais além. “Há excesso de liberdade ao menor de idade; no tempo em que o professor podia ser enérgico com o aluno, nada acontecia”, desabafa. Ela lembra que nunca teve problemas com os filhos e professores. “Talvez eles fossem ruins com o educador e acho que a internet tá fazendo tudo isso e o pior, hoje um menor nem pode trabalhar, como é que antes podia?”, questiona. A opinião de Nazareno de Oliveira Costa, diretor geral do Colégio São José, maior estabelecimento de ensino do município com mais de 1.000 alunos, é parecida com a de Dilma. Ele analisa: “estamos a mercê da mídia; são somente informação e pouca educação; os pais trabalham, têm pouco tempo para os filhos”.

Nazareno: “estamos a mercê da mídia; são somente informação e pouca educaçãoNazareno enfatiza a situação em que hoje, o professor além de ensinar os alunos ainda tem de educá-los também. Por mais que seja forçoso dizer, hoje o educador é refém da legislação. Nazareno explica que não há como educar um filho de outra pessoa. É uma situação difícil, na avaliação dele. Ou seja, o professor está de mãos amarradas. O apelo de Nazareno é para que a imprensa provoque os pais a participarem mais da escola, indo a reuniões e se interando da atividade escolar do filho. Uma situação interessante é a ausência da família na escola. Em época de reunião de pais, por exemplo, só aparecem aqueles cujos filhos estão bem na escola, já os de notas  inferiores, dificilmente acompanham  uma reunião. Não dá para dizer a mesma coisa sobre a experiência do serralheiro Valdemar Matos Formiga. Pai de Clara Aparecida, acadêmica de Letras na UNIPLAC em Lages, ele recorda de todos os momentos que teve de participar de reuniões na escola. Um fato, porém, ficou marcado. “Um aluno mexeu com minha filha e foi ela quem pagou o pato”, conta. Formiga acha que é preciso paciência em ambas as partes, aluno e professor.

Uma estrutura fundamental: pai-mãe-filho. Em alguns casos o alicerce cedeu

A assistente social Lusiane Zandonadi Nunes, analisa o tema do seguinte ponto de vista: “hoje as mulheres estão no mercado de trabalho; antigamente elas cuidavam da casa, dos filhos; não que as mulheres fossem responsáveis diretamente pela educação, mas tinham maior controle sobre os filhos; hoje além da carga horária da mulher trabalhadora, existem os afazeres de casa, tem de ser mãe, esposa e, muitas vezes não tem nem condições de ir à escola verificar a situação do filho”. Notamos um ponto importante nesta relação família-escola: pais que trabalham o dia todo, na maioria, não tem conhecimento da necessidade de acompanhamento do filho. Raramente comparecem em reuniões para acompanhar o andamento das notas, do comportamento do aluno. Problemas internos familiares também engordam as opiniões, como a separação do casal, hoje mais acentuada e jogando toda a carga de responsabilidade para a mulher. O consenso é de que a educação deve partir de casa. Os valores sociais devem ser passados pelos pais. Profissionais da área, analisam que assim, a criança já´[a chega Ana escola com um personalidade praticamente formada. Evidentemente que a escola tem sua responsabilidade, mas se resume em repassar valor através de projetos educacionais. O caráter vem de casa.

“A carga de responsabilidade caiu sobre a escola”


Marilei: “a escola está agora primeiro educando e depois fazendo a parte que realmente é dela que é ensinar”Marilei das Graças Goulart de Almeida é diretora da escola Rocha Pombo, onde ocorreu o fato entre a professora e dois alunos. Ela aponta a necessidade de sobrevivência com a responsabilidade de acompanhamento dos filhos. Em resumo ela esclarece que “os pais têm que trabalhar o dia todo; a responsabilidade cai em cima do professor; temos de educar também; somos professor, médico, pai, mãe, psicólogo e estamos deixando de cumprir o objetivo principal da escola que é a aprendizagem”. A análise de Marilei no remete a uma observação de que, está havendo um caminho inverso da escola ou a contramão da história. Ela completa: “a escola está agora primeiro educando e depois fazendo a parte que realmente é dela que é ensinar”. Ela concorda com a opinião da Dilma de Fátima Nunes de que há muitos direitos e poucos deveres. Surge aí, uma reflexão: cadê nossos deveres como professores, pais, alunos, comunidade? Essas questões não só debatidas em escolas públicas. Há casos em escolas particulares também.

Elizabete: “pesa muito para a escola educar e trabalhar com o conhecimento”Elizabete Medeiros de Almeida, diretora geral do Educandário Santa Isabel, acha que falta limite no lar. “As crianças estão recebendo muito e são pouco cobradas; elas têm o que querem sem mesmo pedir; para mim a educação é no lar e a escola é uma continuação, mas com papel voltado para o conhecimento”, ressalta. Ela entende que as coisas estão se invertendo. Por exemplo, a função real do professor é ensinar, educar faz parte. Elizabete lembra que a escola produz material voltado a valores morais procurando integrar a família do aluno. Ela finaliza argumentando que “pesa muito para a escola educar e trabalhar com o conhecimento”.

Elenita: “A falta de limite hoje das crianças está repercutindo na escola

 

A opinião da coordenadora pedagógica do Educandário Santa Isabel, Elenita Zanella não difere nem um pouco das demais. “A falta de limite hoje das crianças está repercutindo na escola e isso torna o dia a dia cada vez mais difícil”, diz Elenita. É fundamental para a coordenadora, que haja parceria família-escola, sem um jogue para o outro a questão educar.

Responsabilidade de todos. Caso contrário, a carga irá inclinar só para um lado

Numa análise intermediária, percebemos que as opiniões praticamente fecham entre todos. Não há choque de ideias. Assim por pesado que seja o jugo, é fundamental que de dentro da família nasçam alguns valores. A personalidade se forma até uma certa altura. É importante que a criança chegue à escola com esta noção de respeito, amabilidade e carinho com seus semelhantes. A empatia não deve faltar nesta relação, às vezes conturbada, entre alunos-professor. É importante se colocar no lugar do outro. Ser professor, pai, mãe, aluno nesse mundo tão complexo e conturbado é difícil, imagina-se então como seria viver nele sem ter na bagagem alguns valores de responsabilidade. Existe, porém, outra questão crucial: drogas! O trabalho de prevenção é imprescindível, tanto da escola quanto da família. Deste mal ninguém pode se curvar, é responsabilidade de todos. Não mencionamos na matéria questões salariais, condições de trabalho. Percebemos que os estabelecimentos visitados e outros que conhecemos estão em boas condições de uso. Uns passando por reformas completas. Os alunos do Rocha Pombo, estão temporariamente estudando no antigo colégio São José.

Mande sua sugestão para: serrasc1@hotmail.com
 

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