E não é que já é carnaval?

Sex, 24 de Fevereiro de 2017 14:00
O último ano foi pancada! Impeachment. Recessão sem fim. Insegurança. Desemprego. Lava Jato. Zica, chikungunya e até febre amarela. Ai, que desânimo!
 
Desânimo? Mas já é carnaval!
 
Ela veste a fantasia: a saia é de tule e a sapatilha, macia como de bailarina. Aos poucos o cabelo colorido em arco-íris vai surgindo. A maquiagem é singela, mas o apelo aos sonhos doces da infância, muito forte. Falta o chifrinho pontiagudo feito cone. E o mundo de sonhos, de fantasia tal qual os contos de fadas, surge tão logo a tiara enfeita a cabeça. No universo do unicórnio, como no da criança, tudo é possível. Viver por um dia, por uma noite, por um carnaval esta magia parece ser o sonho de muitos, já que é a fantasia mais querida deste carnaval. Assim o unicórnio surge até como estilo de vida, na vida real.
 
Pelas ruas, a multidão pula a alegria de ser quem quer, de se portar como quiser, de fazer o que desejar, de não se importar com o amanhã. Em blocos bem humorados surge o japonês da PF, a Frozen, Lady Bug e tantos personagens que imitando o Drácula estão dispostos apenas a sugar a alegria alheia. A fantasia de ser um super herói e salvar o mundo desta crise toda paira no imaginário de tantos Super-Homem, Homem-Aranha, Homem de Ferro, Hulk ...
 
Pelas ladeiras, ruas e avenidas do país desfilam trios, blocos, foliões que pulam e pulam e pulam. Em cada canto a ilusão de viver de forma diferente emana. Estereótipos de gênero desabam num desejo inócuo de que tudo é possível. O chifrinho no meio da testa vira símbolo de um estilo de vida cor de rosa como o algodão doce. Só que não! Cor de rosa é pura ilusão!
 
O que cada um carrega dentro da fantasia de unicórnio e de seu íntimo pode ser inofensivo ou pode contar uma história de luta na vida daqueles que não se denominam homem nem mulher. E na fantasia a gente aprende que o normal é ser diferente.
 
Mas, já é carnaval e nada disso importa! Agora é preciso despir-se da seriedade, das correrias, das lutas e medos e vestir a fantasia de que tudo pode. O suor que pinga, o cabelo grudando no pescoço, os pés dormentes de tanto pular, de tanto sambar são a ordem do dia, pelo menos do próximos cinco dias.
 
Sambas, marchinhas do tempo do opa ou as inusitadas músicas carnavalescas que embalam o despudor não deixam ninguém parado e já são gritos de guerra. Vai, sai deste sofá e embala a alegria de ser carnaval. Rápido! Logo chega a quarta de cinzas e cinza podem ficar as coisas por aqui.
 
Ih! E não é que já acabou o carnaval?
 

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