Encontro de almas

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
PDF
Imprimir
Seg, 14 de Agosto de 2017 08:46
O avião se movia lentamente pela pista se preparando para decolar. Depois, feito pássaro, levantou voo. Pela minúscula janela vi mar e céu abraçados na linha do horizonte, enquanto o pássaro de ferro mergulhava por entre as nuvens.

Como ele, eu me sentia viajar para o céu. Tínhamos um encontro marcado há muito tempo, tínhamos um contrato selado de nos abraçarmos... E depois de tanto tempo, eu voava ao teu encontro. O coração estava leve, mas também ansioso pela incerteza da sua presença.

Tínhamos muito a nos dizer, como se em pensamento não nos falássemos todos os dias, né? Palavras sempre foram desnecessárias, mas eu sentia que tinhas algo a me dizer de verdade, por isso fui em busca de uma mensagem tua.

Sabíamos que o abraço seria terno, intenso, demorado. Mas sabíamos também que para sentirmo-nos assim, aconchegadas nos braços uma da outra, bastaria fechar os olhos e abrir os corações. Aquele seria um abraço de almas! Meu coração estava feliz, mas lágrimas escorriam varrendo a saudade guardada por tanto tempo.

Não há quem não repense os valores e a vida além morte numa viagem peregrinando por instituições espíritas. Foi em Uberaba, na terra onde Chico Xavier viveu o amor mais verdadeiro, onde pregou com ações o evangelho, que marcamos nosso encontro: Talita e eu.

Visitei vários centros espíritas, assisti a palestrantes incríveis em sua simplicidade e sabedoria. Presenciei muitas psicografias, me envolvi em tantas histórias tristes... Perdas são sempre dolorosas! Me emocionei com mensagens vindas de outra dimensão e reencontrei em palavras mal traçadas pelo médium, minha doce Talita, que foi embora daqui há tanto tempo.

Prefiro relembrar, a cada dia, a nossa história de mãe e filha, da história que escrevemos juntas durante 17 anos. Prefiro lembrar que fui feliz, e que ainda sou feliz apesar da nossa separação. Este é o caminho que nos foi traçado. Esta foi a cruz que me foi imposta e que eu encontrei a melhor maneira de carregar sem deixar que o peso dela me esmoreça. Ou quem sabe é nosso carma, nossa expiação? Não importa a palavra que uso, não importa no que acredito, no que cada um de nós acredita.

O importante é que naquela manhã de sábado, com o alvoroço dos pássaros nas goiabeiras ao lado de fora, com nuvens desarrumando o céu, eu ouvi do médium as palavras: “Mãezinha Suzi, estou aqui, estou aqui com a Vó Mafalda...” e meu mundo encheu-se de alegria. Como num encanto a voz dele me soou a sua voz da Talita me dizendo que está bem e que nos visita em casa...

O encontro foi de almas, mas a carta que recebi me trouxe um pedacinho de você.
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

2011 Rodrigo Produções Internet Design - Tecnologia Progressiva para a Internet