Aprendendo com dona Laura

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Qua, 23 de Agosto de 2017 08:54
Quando fui a Uberaba, no final de julho, visitei vários centros espíritas. O que mais me deixa admirada na doutrina é que a simplicidade e a humildade não são apenas discursos, são práticas, atitudes. Em nenhum deles se vê altares, toalhas rendadas ou flores frescas. Nas palestras nenhuma crítica aos não praticantes, mas sempre a lembrança de que somos filhos de Deus e devemos pregar o amor como Jesus Cristo nos ensinou.

Visitei pela primeira vez o centro fundado por Chico Xavier, Grupo da Prece. Um lugar simples demais, mais grandioso em energia, um lugar de paz. Tudo está igual desde o seu desencarne, até mesmo o pequeno aposento de 2 x 3 metros onde ele passava a maior parte do dia ou da noite fechado,psicografando os mais de 400 livros que pregam o Evangelho. Sua velha cadeira, aos meus olhos desconfortável demais para sua idade e doença, parece estar ainda a sua espera.

Foi lá que conhecemos dona Laura, 101 anos. Isso mesmo, 101 anos! Destes quase 50 dedicados ao grande amigo e agora protetor, Chico. Muito lúcida, chegou sozinha de ônibus. Muito “prosa” foi-nos contando da amizade, do seu trabalho no Centro, do quanto ama aquele lugar. Contou-nos alegre, que para voltar para casa sempre arruma uma carona.

Cuida sozinha de uma filha de mais de 60 anos, acamada por uma doença degenerativa. Troca fraldas, dá comida na boca e banho, além de todo o cuidado da casa. Só tem um neto por perto, que vai visitá-la. “Eles precisa di trabaiá”, conta.

Assim, sem que perguntássemos, nos deu uma lição incrível, talvez mais forte do que todas as palestras que assistimos, talvez a síntese de tudo que ouvimos: “quando a gente tem pobrema não deve di contá pra ninguém. Ninguém pricisa di sabê. Vá prum cantinho da casa, bem quietinha, e fala pra Deus, adispois pega na mão de Chico. As coisa vai miorá”.

Conversa vai, conversa vem e dona Laura nos fala que “a vida podi mudá, a situação financera podi acabá. Mas tem que criditá im Deus que a gente sempri vai recebê ajuda. O que você faiz se a vida mudá?”

Eu queria ficar ali, abraçada em dona Laura, sentindo a paz tomar conta de mim.Me emocionei em ver nela a essência do ser humano. A vida lhe fora dura muitas vezes, mas a fé em Deus, e agora também no grande amigo Chico, lhe é conforto. Contou-nos que por ocasião do aniversário de 100 anos ganhou uma grande festa no Centro. Além de muita comida ganhou muitos presentes e “tava muita gente”.

Ouvimos o Evangelho, muitos depoimentos de pessoas de diferentes cidades do Brasil. Estávamos agradecidas por estarmos ali, no lugar onde Chico esteve por muitos anos de sua vida trabalhando, psicografando mensagens de alento, evangelizando. Saber que eu estava pisando naquele chão e desfrutando daquela energia fez a emoção descer pela minha face repetidas vezes.

Na despedida, dona Laura nos diz: “a surpresa boa é se voceis vié no meu aniversario, dia 3 de maio”. Depois de um abraço apertado nos restou virar as costas e ir embora, na certeza de que, sim, a vida nos ensina as maiores lições onde menos esperamos.
 
 
 

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