Falando de perdas

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Seg, 04 de Setembro de 2017 08:32
Vida e morte são ciclos interligados, isto é fato. Se esperamos com muita alegria pelo nascimento de um novo ser, por que ignoramos a morte, como se ela não existisse, até o momento em que ela bate a nossa porta? Desde que mundo é mundo, as perdas existem. Então, por que temos tanta dificuldade em aceitá-la? Por que nunca estamos preparados?

Gosto de refletir e de falar sobre este assunto porque sofri muito e aprendi mais ainda no prolongado luto de quase cinco anos, pela partida de minha filha em 2004. Luto é o período de que precisamos para chegarmos à compreensão e aceitação da morte de alguém que amamos. Os especialistas dizem que um ano é o prazo normal para isso. Entretanto, há pessoas que passam muito tempo sofrendo em demasia, fazendo daquele que partiu seu único foco.

Os diferentes tipos e situações de morte são decisivos para um maior ou menor luto. Morte de jovens, mortes por doenças repentinas, por violências são mais impactantes, causam muita dor. É mais fácil aceitar a partida de idosos e acamados de longa data. Neste último caso, o luto já inicia quando ainda há vida e prolonga-se por quanto tempo durar a doença. Mas logo após a morte a compreensão se conclui sem grandes transtornos.

Costumo dizer que sim, há morte bonita. Conhecer e analisar os exemplos e trajetória de uma pessoa bem velhinha é tão bonito, que o momento da partida traz consigo calma e tranqüilidade ao coração. Na verdade não sei explicar, mas já me senti assim na partida de algumas pessoas muito próximas e amadas. Como se a morte fosse um presente, a hora de descansar, de deixar de sofrer, de recomeçar em outro plano muito melhor.

Eu acredito na vida em outra dimensão. Mas não naquele paraíso inocente ou inferno ardente de minha infância. Imaginar o ser que amamos vivo em outro espaço traz alento.

Vejo o sofrimento como uma oportunidade que a vida nos dá para aprendermos lições. Quando ele chega é normal o desespero, a busca por culpados, os inúmeros por quês, que de certa forma, ocupam nossa cabeça. Mas isso não pode se prolongar. É só a partir da aceitação que passamos a aprender as lições e a nos tornarmos mais fortes, melhores como seres humanos.

Me entristeço quando presencio revolta, desespero, amargura, porque vejo ali o desperdício das oportunidades de crescimento, de aprendizagem. Tão mais fácil seria a vida se aceitássemos a morte. Tão mais fácil teria sido a minha vida se eu tivesse naquele tempo a compreensão que tenho hoje...
 

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