Onde guardas teus sonhos?

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Qui, 19 de Julho de 2018 10:06
Hoje os meus sonhos cabem folgadamente na gaveta do criado-mudo. Guardados pertinho do meu coração! Mas já ocuparam toda a sala de estar. Apertadinhos como se estivessem num dia de grande festa ou como sardinhas em lata. Aí você, caro leitor, pode me perguntar: O que houve então? Por que agora cabem apenas numa gavetinha? E eu preciso parar para pensar e responder.

Eram muitos, alguns acalentados desde a infância. Alguns realizei com maestria, alguns com menos pompa. E houve aqueles que ficaram esquecidos de tão insignificantes que eram. Outros deixei de lado porque perderam o sentido ou a importância.

Guardá-los na gaveta é minha nova estratégia. Ela fora adquirida como fruto da maturidade, período da vida onde já não cabem mais superficialidades. A gaveta fora arrumadinha com cuidado, já que nela pouco cabe. E de tempos em tempos a revisito pois não posso retê-los ali indefinidamente. E assim, corro atrás de realizá-los logo pra puder sonhar outros sonhos, alçar outros voos.

Enquanto guardava-os na grande sala deixava-os desorganizados, sem nenhuma hierarquia. E eram tantos que até podiam ficar escondidos num cantinho passando despercebido por longo tempo. Alguns se perderam nas frestas do assoalho da vida, outros foram mofando até ficarem irreconhecíveis, e tinham aqueles vazios de essência, que por isso, foram esquecidos.

Mas com a chegada da maturidade a faxina na sala fora necessária. Ninguém chega nesta fase da vida impune. Um determinado dia você acorda e, do nada, se vê cansada de correr atrás de sonhos bobos e passa a ser mais seleta. Foi numa noite de virada de ano que a magia aconteceu e aí percebi que sem priorizá-los não os buscava de verdade.

Para minha surpresa ao organizar o caos encontrei sonhos que não eram sonhos, mas apenas desejos inócuos, vontades bobas. Mexi e remexi em cada cantinho da grande sala e fui classificando-os com cuidado. Nesta seleção inevitavelmente precisei rever conceitos, sentimentos, atitudes. Pude constatar que muito em mim havia mudado, que a vida fora dura em alguns momentos, mas que justamente eles me fizeram mais humana e assim, os sonhos foram se modificando. Mas há ainda o que se buscar.

Ali, sentada no chão da minha essência, me vi recolher juntando apenas um punhadinho de sonhos que quero realizar. Eles são claros, límpidos e palpáveis! E estou disposta a vivê-los!

Boralá! Faz uma faxina aí!
 

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