Serra catarinense investe para atrair mais turistas brasileiros durante o inverno

Dom, 12 de Maio de 2013 10:38

Cinco cidades disputam público e ajudam a fazer de SC um polo de referência no país

Serra Catarinense (Especial Diário Catarinense) - Chega o frio e a Serra catarinense é invadida por turistas do Brasil

inteiro em busca das baixas temperaturas que consolidam a região como a mais fria do país. Geada e neve são fenômenos comuns que todo o visitante quer ver e sentir. Mas quais os melhores locais? O que cada cidade oferece? E o que está sendo feito pela iniciativa privada a fim de garantir infraestrutura e qualidade a essa modalidade de turismo que não para de crescer?

A reportagem do Diário Catarinense passou a semana inteira na Serra, foi aos principais pontos turísticos da região, falou com moradores, turistas e empreendedores e constatou que o setor está se profissionalizando. A grata surpresa é que os investimentos caminham a passos largos, são vultuosos e voltados a um público qualificado.

Bom Jardim da Serra, Lages, São Joaquim, Urubici e Urupema são os municípios mais procurados. E três são os principais trunfos: frio, atrativos e infraestrutura. As disputas pelo título de cidade mais fria entre São Joaquim e Urupema e pela "propriedade" do Morro da Igreja entre Bom Jardim da Serra e Urubici agregam valor ao turismo, mas precisam ficar no campo das ideias, propostas e argumentos e jamais partir para o bairrismo, boicotes e sabotagens. Afinal, a marca Serra catarinense é forte e está consolidada.

Quem sobe as montanhas não quer necessariamente ficar só neste ou naquele município, mas na região. O turista adora enfrentar o frio mais frio do Brasil, volta sempre que possível e recomenda o passeio aos amigos. A preferência por um ou outro lugar dependerá de como ele foi atendido e do que lhe foi oferecido. E para isso a palavra-chave é investimento.

- É a nossa primeira vez na Serra catarinense e procuramos conhecer o máximo possível de pontos turísticos. O povo é muito hospitaleiro, a região é linda e está de parabéns. Faremos propaganda e queremos voltar o quanto antes - disse o estatístico Pablo Melo, de 44 anos, enquanto passeava pela Serra com a mulher, a administradora de empresas Graça Santos, 43.

O casal é de Fortaleza, no Ceará, onde a temperatura mínima nunca baixa de 23ºC e incluiu a Serra Catarinense no roteiro de uma viagem de moto com duração de um mês e 12 mil quilômetros pelo Brasil afora com um objetivo principal: enfrentar o maior frio de suas vidas.

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Fonte: Jornal Diário Catarinense, domingo 12 maio 2013

Texto: Pablo Gomes

Credito Foto: Vani Boza/DC

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Bom Jardim da Serra aposta em um dos maiores conjuntos de cânions do mundo

Bom Jardim da Serra - Paisagens encantadoras da cidade de 4,5 mil habitantes são um grande atrativo. Com 4,5 mil habitantes, Bom Jardim da Serra tem um nome bastante apropriado para a sua realidade. As paisagens do pequeno município localizado a 120 quilômetros de Lages e a 220 de Florianópolis são encantadoras, com ênfase a um dos maiores conjuntos de cânions do mundo. Destaque para o das Laranjeiras, da Ronda e do Funil, os mais conhecidos.

Em seu território de 936 quilômetros quadrados, Bom Jardim da Serra conta com generosas porções - precisamente os topos, de onde se faz a visualização - dos dois principais cartões postais da Serra catarinense: o Morro da Igreja, cuja "propriedade" é disputada com Urubici após um estudo do governo do Estado que fez novas delimitações da região em 2011, e a Serra do Rio do Rastro.

O maior empreendimento privado voltado ao turismo em Bom Jardim da Serra neste momento trata-se do Condomínio Altos da Serra, localizado ao lado do parque eólico, bem no alto da Serra do Rio do Rastro. Num investimento de R$ 25 milhões, o empreendimento de alto luxo conta com 226 terrenos que medem de 1,5 mil a 6 mil metros quadrados cada.

Com infraestrutura completa, incluindo salões de festa, loja de conveniência, academia e até heliponto para nove helicópteros ao mesmo tempo, as mansões devem começar a ser construídas no próximo mês e custarão entre R$ 600 mil e R$ 3 milhões cada uma. Os principais clientes são de Florianópolis, Criciúma, Blumenau, Balneário Camboriú, Brusque, Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). Até o momento, 60% dos lotes já foram vendidos.

O que tem por lá

:: Uma das menores densidades demográficas de Santa Catarina, com apenas 4,7 habitantes por quilômetro quadrado

:: Os topos dos dois principais pontos turísticos da região: o Morro da Igreja e a Serra do Rio do Rastro

:: Parque eólico com mais de 60 torres

:: Um dos maiores conjuntos de cânions do mundo, com destaque para o das Laranjeiras, da Ronda e do Funil

:: Distante 120 quilômetros de Lages e 220 de Florianópolis

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Rica em história e com boa estrutura, Lages é apontada como capital da Serra

Lages - Cidade se orgulha de ser terra natal do único catarinense a ter sido presidente. A capital da Serra catarinense é rica em história. Afinal, são nada menos que 246 anos de fundação desde a passada de gigantescas tropas de gado que eram conduzidas de Viamão (RS) a Sorocaba (SP) e que contribuíram diretamente com o desenvolvimento do Brasil.

Lages orgulha-se de ser a terra natal do primeiro e único catarinense a ter sido presidente da República até hoje. Nereu Ramos nasceu em 3 de setembro de 1888, em uma fazenda na região da Coxilha Rica. Depois da sua morte em um acidente aéreo, em 16 de junho de 1958, em São José dos Pinhais (PR), nenhum outro catarinense voltou a ocupar o cargo máximo do país. Outro orgulho lageano é a Festa Nacional do Pinhão, que neste ano, em sua 25ª edição, ocorre do próximo dia 24 a 2 de junho.

Com 157 mil moradores, Lages tem o maior território de Santa Catarina, com 2,6 mil quilômetros quadrados. A cidade foi a pioneira do turismo rural no Brasil e conta com uma ótima estrutura em sua rede hoteleira, com aproximadamente dois mil leitos, e gastronômica, com destaque para os hotéis fazenda de alto padrão e restaurantes especializados em comida típica da região.

Os grandes investimentos privados de Lages em turismo na atualidade estão na modernização dos seus hotéis e restaurantes, principalmente os estabelecimentos rurais, que apostam cada vez mais em conforto, atividades ao ar livre típicas de fazendas e atrações culturais.

O que tem por lá

:: Cavalgadas e caminhadas pelos corredores de tropas da Coxilha Rica

:: Museus e prédios históricos, como a prefeitura e a Catedral Diocesana

:: Boa infraestrutura na rede hoteleira e gastronômica

:: A Festa Nacional do Pinhão, que neste ano, em sua 25ª edição, ocorre do próximo dia 24 de maio a 2 de junho

:: Lages está localizada na área central do Estado, a 220 quilômetros de Florianópolis

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Município de São Joaquim é reconhecido como Capital da Neve no Brasil

São Joaquim - Quando fenômeno ocorre no país, é na cidade que ele acontece primeiro e com mais intensidade. Com 126 anos completados na última terça-feira, o município de São Joaquim sempre foi considerado o mais frio até a emancipação do então distrito de Santana, atual município de Urupema, em junho de 1989. Mas isso pouco importa e não atrapalha em nada. Afinal, São Joaquim continua sendo, e provavelmente sempre será, a Capital da Neve no Brasil.

Inclusive com o reconhecimento da "concorrência", São Joaquim é o lugar onde mais ocorre neve. Se nevou no país, é por lá que acontece primeiro e com mais intensidade. Não que Bom Jardim da Serra e Urupema, principalmente, não registrem o fenômeno. Mas em áreas urbanas, onde existe luz, cenários e tecnologia adequada para postar na hora a foto da neve nas redes sociais, o lugar certo é São Joaquim.

O município da Serra catarinense também se destaca como o maior produtor brasileiro da melhor maçã do mundo e desponta cada vez mais na produção de vinhos finos de altitude. Premiada mundialmente, a bebida é fabricada em vinícolas modelos e que atraem turistas do país inteiro.

Um dos principais investimentos privados em turismo no momento em São Joaquim é a recente construção de um espaço gourmet na Vinícola Monte Agudo, vizinha da internacionalmente conhecida Villa Francioni.

O que tem por lá

:: É a capital brasileira da neve

:: Em seus 1,9 mil quilômetros quadrados, conta com inúmeras paisagens que permitem belas imagens

:: Tem bons restaurantes e rede hoteleira que inclui pousadas alternativas

:: Tem a maior produção brasileira da melhor maçã do mundo

:: Produz vinhos finos de altitude premiados mundialmente e belíssimas vinícolas abertas à visitação, como a Villa Francioni

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Urubici tem a maior variedade de pontos turísticos da Serra catarinense

Urubici - Cidade atrai visitantes em busca da qualidade de vida proporcionada pelo ar puro das montanhas. Um dos principais destinos turísticos de Santa Catarina, Urubici conta com uma elogiável rede hoteleira que soma aproximadamente 1,5 mil leitos. Só as pousadas já passam de 50.

Quem visita Urubici uma primeira vez, não resiste e volta sempre. Muita gente, inclusive, troca outros estados e até países para investir e viver em Urubici. Atualmente, estima-se que 40% da economia do município seja proveniente do trabalho e dos empreendimentos de gente de fora.

Limpa, sem violência e localizada em uma região cercada de mística e história, Urubici atrai visitantes do mundo inteiro em busca de conhecimento por meio de pesquisas e qualidade de vida através do ar puro vindo das montanhas.

Urubici tem a maior variedade de pontos turísticos da Serra catarinense. Cascatas, cavernas, serras e inscrições rupestres. Para que um passeio seja o mais completo possível, são necessários de três a quatro dias, tamanha a variedade de opções. Esportes radicais e atividades junto à natureza estão cada vez mais no cardápio das agências e guias de turismo.

Na saudável disputa com a vizinha Bom Jardim da Serra pela "propriedade" do Morro da Igreja, Urubici ampara-se no fato de sempre ter levado os louros do lugar e de ser o único acesso asfaltado até o alto de um dos principais cartões postais do Estado.

Os maiores investimentos privados em turismo neste momento em Urubici são dois condomínios de luxo localizados na Serra do Panelão. O EcoVille Kiriri-Etê será apresentado em junho como o primeiro condomínio ambiental de Santa Catarina e conta com 29 lotes que medem de mil a 3,2 mil metros quadrados e custam de R$ 100 mil a R$ 320 mil. Das 29 unidades, sete já foram vendidas.

Outro empreendimento, já no município de Bom Retiro, no limite com Urubici, é o Pouso na Serra, que consiste em uma pista de grama para pequenos aviões localizada junto ao Hotel Curucaca e utilizada por turistas do mundo inteiro que visitam a região com suas próprias aeronaves.

O que tem por lá

:: Montanhas, serras, cachoeiras, cavernas, grutas, inscrições rupestres, esportes radicais e atividades junto à natureza

:: Tem a maior variedade de pontos turísticos da região, com destaque para o Morro da Igreja, a Serra do Corvo Branco e a Cascata do Avencal

:: Ideal para estudiosos e apaixonados pela natureza

:: Rede hoteleira com 1,5 mil leitos em mais de 50 pousadas

:: Urubici está localizada a 110 quilômetros de Lages e 150 de Florianópolis

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Urupema já sente há três anos os efeitos positivos que o turismo pode gerar

Urupema - Cidade de 2,5 mil habitantes conquista cada vez mais nobres espaços da imprensa nacional. Eis um lugar que está sentindo na pele os efeitos do turismo. Até cinco ou seis anos atrás, pouco ou quase nada se falava de Urupema. Até que, em 2010, o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram), órgão ligado à Epagri e responsável pela previsão oficial do tempo em Santa Catarina, instalou por lá uma estação registrada no Ministério da Agricultura e reconhecida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O equipamento apenas comprovou com dados científicos o que os moradores do ex-distrito de São Joaquim sempre afirmaram: Urupema é a cidade mais fria do Brasil. Poucas são as vezes que qualquer outro dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros registra temperatura menor que a de Urupema.

Assim, a imprensa nacional conheceu Urupema e hoje a simpática cidade de 2,5 mil habitantes da Serra catarinense conquista cada vez mais nobres e generosos espaços em jornais, revistas e canais de TV do país inteiro. Tanta divulgação levou Urupema a ser invadida por visitantes de todos os estados nestes últimos três anos. E aos poucos, o lugarejo até então desconhecido vai crescendo para o turismo.

Neste momento, os maiores investimentos privados em turismo na cidade são a abertura de pousadas alternativas nas casas dos moradores. Um bom hotel urbano está prestes a ser inaugurado e uma pousada com pesque pague de trutas deve ser reaberto nas próximas semanas.

O que tem por lá

:: É a cidade mais fria do Brasil e registrou a menor temperatura de 2013 até agora: -6,8ºC na última quarta-feira

:: O Morro das Torres, com 1.750 metros de altitude, registra um fenômeno único no Brasil: o sincelo, muito semelhante à neve, mas que na verdade é o congelamento de nevoeiros

:: A cachoeira que congela, aos pés do morro, faz jus ao nome quando ocorrem sequências de três ou quatro dias de temperaturas extremamente baixas

:: Tem aproximadamente 30 pontos turísticos cadastrados, como a praça Manoel Pinto de Arruda, uma das mais belas da região, e o observatório de trutas no Rio Caronas, um dos poucos habitats naturais desta espécie de peixe fora da América do Norte, já que precisa de água limpa, gelada e corrente

:: Urupema fica a 50 quilômetros de Lages e a 200 de Florianópolis, tudo por asfalto

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"O geólogo tinha razão"

Especial - Era manhã de 8 de junho do ano passado, quando os termômetros marcaram -9,2ºC na Serra Catarinense, a menor temperatura das duas últimas décadas e a sétima mais baixa da história no Brasil, quando estávamos no alto do Morro das Antenas, em Urupema, e ouvimos do geólogo paranaense Geraldo Barfknecht, que há mais de 30 anos estuda montanhas do mundo inteiro: "Vocês podem se considerar as pessoas que mais enfrentam frio neste país".

Talvez o geólogo tenha exagerado, mas a declaração dele não me saiu da cabeça e, em partes, concordei. Afinal, pelo oitavo inverno seguido a minha missão é mostrar ao leitor do Diário Catarinense como é viver na região mais fria do Brasil.

Somos "inimigos" da lareira e dos cobertores. Não é lá que devemos estar. Nosso dever é enfiar o pé no gelo, pôr a cara no vento, bater os queixos e voltar com as melhores fotos e histórias de lugares lindos e de gente que, por necessidade ou lazer, tem os campos verdes naturalmente pintados de branco como a primeira imagem do dia.

Preciso admitir que não é nada fácil. Se é bom demais dormir até o meio-dia quando está muito frio, digo-lhes que às 5h meu despertador me acorda e 7h já é tarde.

Escrevo este texto de Lages, após ter passado a semana inteira enfrentando as baixíssimas temperaturas de Urupema, São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urubici ao lado da fotojornalista Vani Boza e do nosso motorista Ricardo Araújo.

Na mala, pelo menos duas jaquetas, luvas, gorro, cachecol. meias de lã, calças e botas forradas, creme hidratante para o rosto e uma gigantesta dose de boa vontade, dedicação e paciência, porque o negócio é puxado e corrido, mas precisa ser eficiente e correto.

Talvez sejamos um pouco masoquistas, pois sentimos prazer com algo que machuca e pode matar.Não podemos dar ao luxo de uma saída a campo ou de aquecer longamente após as incursões ao ar livre e congelante.O nariz, as orelhas, as pernas, os dedos. Tudo dói e perde a sensibilidade. A hipotermia é um risco iminente e constante.

Sono? Não sabemos o que significa. Comilança? Quem dera. Vinho? Talvez uma taça na última e melhor refeição do dia, lá no fim da noite. Lareira? Só para fotos bonitas. Descanso? Quase nada e só após o trabalho devidamente bem feito, revisado e concluído. Prazer? Em absolutamente todos os momentos. O sentimento? De missão cumprida e a vontade de voltar o quanto antes para fazer tudo de novo.

Pablo Gomes, jornalista do Diário - Lages


 
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