Depois de oito anos escrevendo, aventureiro lança livro de viagem inédita

Seg, 07 de Junho de 2010 09:14

O Aventureiro na verdade, ficou pronto há um ano. Imagina você, em 1969, enquanto o homem ia à lua, um jovem decidia fazer completamente o contrário: conhecer novos costumes, história e cultura pelo mundo afora. O interessante é que a viagem foi em cima de uma Lambreta modelo L.I 150, ano 68. Passou por 54 países, 3 ilhas e 2 estados independentes. Percorreu em torno de 85000 km por terra, ar e mar.

“O aventureiro José Ferreira da Silva, em 1969 aos 31 anos de idade”.Lages – A história de José Ferreira da Silva vai muito além de um radialista, de um jornalista que na década de 1960 trabalhou na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, de um escritor, de um espiritualista.

 

Em 1968 quando o jovem de 31 anos resolveu viajar pelo mundo pilotando uma Lambreta, alguns o chamavam de doido varrido. Porém, havia quem o incentivasse e desse apoio ao périplo, como Maurício Sirotsky Sobrinho, Vidal de Negreiros, o idealizador. “Na partida eu estava muito triste; havia uma orquestrada a Valsa do Adeus; imagina que bela despedia”, recorda com certo humor. Do Brasil, o trajeto foi pelo Uruguai, Argentina Chile chegando à América do Norte. O Aventureiro, um livro de 592 páginas relata a coragem, sofrimento, as tristezas, o enfrentamento de situações inóspitas e perigosas de uma viagem que iniciou dentro da Rádio e TV Gaúcha em Porto Alegre, passando pelas três Américas, Europa, Orienta Médio, Ásia e Africa. Encontrei José Ferreira num dos pavilhões do Parque Conta Dinheiro em Lages, durante a Festa Nacional do Pinhão. Estava num pequeno estande bem no canto do prédio, meio sozinho. Já o conhecia em Lages como radialista e jornalista e sabia por cima de sua façanha em dar a volta ao mundo num rudimentar veículo de duas rodas. O livro daria, segundo ele, 2.300 páginas com fotos. “Isso seria inviável; não tem como você negociar um livro; ou se faz uma coletânea”, comenta o aventureiro. Além do mais, o preço aumentaria umas dez vezes. 

O jeito foi sintetizar a viagem. Mais interessante ainda, é que pouquíssimas pessoas sabiam da história de José Ferreira. Este é o motivo de ter elaborado todo o projeto sozinho. Como não foi possível guardar todos os escritos da viagem, o plano foi ir lembrando aos poucos os acontecimentos de uma cidade à outra, o que não foi muito fácil. Para escrever as partes da viagem ele precisou aprender a manusear o computador, graças ao filho que em 1998 havia feito um curso técnico e passou as “manhas” para o pai. A primeira parte do livro foi extraída do único diário registrado que vai do Brasil ao Alaska. “vocês não calculam o que eu passei naqueles 359 dias; dificuldades para escrever, anotar, tirar fotos”, justifica em razão de ter feito apenas um diário de viagem. José Ferreira queria entrar na China, para conhecer as muralhas. E relata um fato curioso de conterrâneo. “Um brasileiro, que conheci em Nova Deli, me disse que para eu ir até a China precisa de uns macetes, e confiei neles”, lembra. Na verdade o aventureiro estava caindo numa armadilha. Ele juntou uns 350 dólares e entregou ao homen, na esperança de poder entrar em território chinês. “Se estivesse sentado esperando aquele brasileiro, estaria agora lá”, brinca. As maiores dificuldade, segundo relata José Ferreira, foram passagens pelos desertos, um deles o Atacama, no Chile. “Foi horrível a travessia, mas tinha uma vantagem que era de que a cada 100 ou 200 metros se via costa do continente e as cidades são mais próximas uma das outras”, descreve. Já no Oriente Médio e Ásia a situação era completamente contrária, sem povoações, estradas precárias e tudo mais. “Lá, tive de beber água barrenta, comia qualquer coisa que vocês possam imaginar, fiquei doente e fui picado por escorpião”. Para realizar a façanha foram quatro anos de preparação. José Ferreira se preocupou em apreender tudo o que possa imaginar para, digamos assim, um teste de sobrevivência. Foram cursos de artes marciais, autodefesa, comunicação, inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, conhecimentos gerais, boas maneiras e formas de como chegar às autoridades. Tudo isso José Ferreira da Silva, fez.

 

Foto em Arequipa no PeruEconomicamente, ele conseguiu no Brasil cartas de apresentação como da Pepsico e Esso, por exemplo, para conseguir o que fosse possível à viagem. “Por ser jornalista foi um pouco mais fácil, pois tinha acesso aos meios de comunicação e ganhava cachês pelas entrevistas”, relata. Assim, o aventureiro foi guardando dinheiro, mas teve de sacrificar um pouco, como dormir embaixo de pontes. “Não se tinha noção do que se gastaria para fazer uma viagem dessas”, conta ele, a não ser se fosse com outros meios, como avião ou navio. O retorno começou em Nova Déli, na Índia. De lá ele foi ao Paquistão, onde se acabou se perdendo ao sul da Índia. Viajando pelo sul do Oriente chegou a Carachi passando ao norte da África, cruzando por Egito, Tunísia e outros países até o Marrocos. Teve de voltar para a Europa para fazer uma revisão na Lambreta, em Milão na Itália. Costeando o Mediterrâneo chegou a Portugal, passando pela Ilha da Madeira, Ilha de Cabo Verde, Dacar e finalmente o Brasil. O atraque do navio em águas brasileiras, foi no Recife. “Ali fiz uma coisa muito feia”, ressalta. O leitor pode pensar o que será que o aventureiro fez? Na verdade ele não sabia de o comunicador da embarcação tinha avisado a imprensa sobre a chegada dele. “Quando navio atracou não vi mais nada, desci as escadas voando, gritando, chorando”, se emociona. Era de rolar no chão devido a emoção de estar de volta ao Brasil, esquecendo inclusive, autoridades inspecionarem o navio antes da descida dos passageiros.

Para conhecer a história completa de José Ferreira da Silva, O Aventureiro só mesmo se debruçando em cima do livro e rir, chorar e se encantar com tanta coisa linda e ao mesmo tempo angustiante, de uma viagem feita há 41 anos, em cima de uma Lambreta L.I 150 de 6HP modificada para 9 HP, com dois tanques de 5 litros cada um e que fazia uma média de 30km/litro. Foram dois pares de pneus utilizados. A Lambreta está atualmente no Museu Júlio de Castilhos em Porto Alegre, numa doação prometida por ele, caso voltasse são e salvo, o que foi melhor para a história. O livro está à disposição nas livrarias em Lages, Florianópolis em Caxias do Sul, Porto Alegre, na região oeste de Santa Catarina. “Falta eu lançar em algum lugar”, brinca.

INFORMAÇÕES: 49.3222.3689 ou 49.9967.4554
www.jfsoaventureiro.com.br - jfsoaventureiro@yahoo.com.br.
Livro: José Ferreira da Silva, O Aventureiro, 592 páginas
Preço: R$ 48,00 + Correio

 

Comentários 

 
0 #2 Maria Lara 03-01-2019 11:21
Essa viagem foi uma verdadeira aventura. O livro é muito interessante.
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0 #1 Rosane Matos Toyoshi 02-11-2012 01:01
:-) Nossa fiquei emocionada,sou lageana e desde criança eu ouço falar no Zé, conheço sua loja ,já tive o prazer de conhecê-lo ele é simplesmente espetacular,pes soa amável,humilde, sábia,vou com certeza atrás deste livro,ficava curiosa qdo ele ameaçava contar algo no programa do Mauricio husseini rsrsrsr mas era só ameaça rsrsr .Bjs no coração
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