A triste realidade da fruticultura: renda migra para outras regiões

Qua, 16 de Junho de 2010 08:23

No dia 29 de abril o presidente da AMAP – Associação dos Produtores de Maçã e Pera – Antonio Carlos Anselmo, numa entrevista exclusiva ao Portal SerraSC, já alertava que “a única forma de mudar a situação econômica do município, é organizar  o setor produtivo em cooperativismo para que se possa reter  a produção aqui mesmo na região”.

São Joaquim – Naquele dia, Antonio Carlos Anselmo, chamava a atenção para autoridades e fruticultores sobre a implantação de “uma estrutura de frio, armazenagem, embalagem e venda”.

Por mais forçoso que seja em admitir, apenas 30% da produção ficam na região, sendo que 70% da maçã produzida aqui vão para outros municípios do país, especialmente no Rio Grande do Sul, onde lá, se faz a efetiva agregação de valor do produto e onde fica a maior fatia do preço da cadeia produtiva da fruticultura, especialmente a maçã. “Estamos deixando toda esta renda se esvair para outras regiões e com isso estamos empobrecendo”. Na mesma linha de pensamento, o consultor em fruticultura Daniel Alfredo Pérsico, faz novamente um alerta ao setor. Para ele há diferença entre o aumento da produção e o baixo consumo per capita. Outro fator preponderante para o consultor é a grande quantidade de maçã destinada à indústria, vendida a um preço que não paga nem mesmo a mão de obra no pomar. Num excelente artigo sobre a crise na fruticultura, Daniel Alfredo Pérsico, dá ricos detalhes sobre o futuro do setor, que por enquanto, ainda move a economia local.

A Crise na Fruticultura
Por Daniel Alfredo Pérsico

A produção nacional de maçã ultrapassou valores de 1.200.000 toneladas a partir do ano 2009 que irá a aumentar ainda mais nos anos seguintes; paralelamente o consumo per capita não aumenta; não conseguimos melhor a qualidade para ter maior oferta exportável mais se fosse assim também temos a crise européia com um consumo retraído sem contar com o cambio desfavorável ao exportador. Nos meses de Fevereiro e Março deste ano muitas toneladas foi para indústria correspondente á colheita anterior por não ter mercado. Essa situação vai se repetir no próximo verão, quando iniciemos a colheita 2011 nos encontraremos com um estoque alto de fruta que não terá mercado. Devido a essa conjuntura os preços caíram absurdamente a tal ponto que o retorno que se pagará aos produtores fica muito comprometido, principalmente aqueles que entregam a fruta a empresas em consignação ou outra negociação sem “preço fechado”. A incerteza é muito grande que obscurece o futuro do produtor e de toda atividade econômica que dependa deste cultivo.  

Números claros:
Em Junho encontramos as câmaras lotadas de maçã (500.000 toneladas aproximadamente); isso implica que o mercado terá que consumir mais de 65.000 toneladas por mês e sabemos que acima de 50.000 toneladas temos uma oferta maior que a procura.

Sabemos também, que já temos empresas desistindo da atividade, outras com sérios problemas financeiros e produtores com renda injustamente diminuída. Crise parecida aconteceu em outros países e os sobreviventes foram aqueles que tomaram atitude mais cedo, mais no meio do caminho ficaram muitas frustrações, tristezas e injustiças. Penso que as autoridades deveram tomar medidas preventivas urgentes senão acontecerá alem de um problema econômico, um social também.
Para quem dependemos da fruticultura, Deus nos proteja e ilumine ás autoridades da classe e governamentais.

Daniel Alfredo Pérsico
Consultor em Fruticultura

 

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