Sorriso bobo

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Seg, 31 de Julho de 2017 09:41
Sabe aquele dia perdido, que você não faz nada de prazeroso? Acordei cedo e o vai e vem começou. Munida de panos de limpeza, balde, aspirador de pó, rôdo e uma parafernália de materiais de limpeza, instaurei o dia antecipado de faxina. Se a quinta- feira falasse muito provavelmente iria reclamar daquela intromissão. Afinal, segunda é dia de por a casa em ordem depois da preguiça do findi. Mas decretar faxina geral já é um pouco demais. Falta de decoro eu diria.

Pois é! O dia foi intenso aqui em casa. Os ácaros estavam em polvorosa com a minha disposição em tirar sapatos, malas, papéis e tudo mais de dentro dos armários para borrifar antimofo esfregando vigorosamente um pano e mais outro e outro, até ter a certeza de que, sim, havia eliminado os pestes dos armários.

Final do dia, a casa cheirosinha, mas a dona nem tanto. Depois de um banho revigorante, daquele café cheio de coisas gostosas que só as joaquinenses sabem fazer (bairrismo vale, sempre!), sentei em frente à TV para assistir a novelinha água com açúcar. Não sem antes passar o olho no celular e constatar que o dia dos meus contatos das redes sociais talvez também não tivesse sido produtivo: nenhuma piadinha, nenhuma novidade... Mas lá no cantinho eis que uma única mensagenzinha do Messenger me chamou a atenção: “Tenho uma notícia boa para você, seus livrinhos finalmente foram publicados”. Li, reli, li de novo... Sim! Era verdade!

Era o editor da Vale das Letras, que havia me encomendado o trabalho fazia muito tempo. A coleçãozinha Na terra dos Ursinhos fora publicada. Eu já havia perdido a esperança, mas o fato é que as historinhas estão publicadas a espera de crianças para encantar.. Genteeeee! Cheguei ao céu tamanha euforia.

Vivemos num país onde educação e cultura estão à margem. Publicar livros aqui é coisa muito rara. São milhões de pessoas que têm afinidade com as palavras, que escrevem coisas interessantes, mas destes, poucas centenas conseguem ver o sonho sair do papel.

Eu consegui realizar um sonho acalentado bem no fundinho do coração. Um sonho envergonhado, tímido, que a gente acha que nunca vai sair deste status. Um desejo inócuo que por isso nem ousava contar. Apenas aqueles que convivem com a gente bem de pertinho, que nos assistem horas e horas mergulhados num mundo a parte, conseguem desvendar.

Tenho muita intimidade com o computador. Se ele falasse, se fosse um fofoqueiro e se ouvido pudesse ser, passaria dias contando as minhas histórias inventadas e, porque inventadas, relidas e reviradas imensamente.

Amo papel, lápis. Amo mergulhar no mundo do faz de conta e me deixar sonhar enquanto desenho palavras, que desenham mundos imaginários. Amo ler, amo escrever. E as histórias para os pequenos me encantam primeiro.

O final daquela segunda-feira, que eu julgava perdida, foi um dos mais felizes de minha vida e o sorriso bobo ainda está aqui, estampado no meu rosto.
 

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