Agronegócio catarinense sente os efeitos da estiagem

Publicado por Anselmo Nascimento
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Qua, 02 de Agosto de 2017 10:19
Santa Catarina - O agronegócio de Santa Catarina já sente os impactos da falta de chuva. Os principais prejuízos são observados nas pastagens, que 
influenciam a produção de leite e carne. As altas temperaturas e a falta de chuvas vêm comprometendo a produção de leite, que vinha numa crescente no estado. Os produtores já contabilizam prejuízos de R$ 22 milhões. 
 
Em 2017, a produção catarinense leite vinha superando os números de 2016. Os levantamentos do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) apontam que, no primeiro semestre deste ano, as indústrias estaduais inspecionadas captaram cerca de 8% a mais de leite do que no mesmo período de 2016. 
 
Esse crescimento está sendo prejudicado pela falta de chuvas e altas temperaturas de junho/julho em Santa Catarina, que provocam falta de umidade no solo e refletem na quantidade e qualidade das pastagens disponíveis para os animais. Para alimentar os bovinos, os produtores estão recorrendo à silagem, feno, "pré-secado" ou rações, nem sempre disponíveis nas quantidades necessárias e com impacto direto nos custos da produção. 
 
Como Santa Catarina tem uma diversidade de sistemas de produção de leite, as estimativas de perdas com a estiagem variam entre as regiões. Mas os relatório do Epagri/Cepa já apontam para uma queda na produção estadual de 8%, isso significa que as indústrias inspecionadas deixaram de captar cerca de 18 milhões de litros de leite.
 
As estiagens não são raras em Santa Catarina e o agronegócio deve estar preparado para enfrentar esses períodos de seca. A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca é uma grande apoiadora de projetos envolvendo captação, armazenagem e uso de água da chuva. Desde 2015, os Programas da Secretaria possibilitam investimentos que superam os R$ 27,9 milhões para a construção de cisternas, poços artesianos e sistemas de irrigação. 
 
“A água é fundamental para a agricultura e pecuária, nós temos meses com excesso de chuvas e essa água não pode ser desperdiçada. A captação e a armazenagem da água da chuva são indispensáveis para termos uma agricultura familiar sustentável”, ressalta o secretário da Agricultura Moacir Sopelsa. 
 
São três Programas da Agricultura voltados para esses projetos: o Programa Irrigar, o Programa De Fomento À Produção Agropecuária e o Programa Água para o Campo. Sem contar os investimentos feitos através do Programa Juro Zero Agricultura/Piscicultura. 
 
Região de Lages
 
Na região de Lages a principal preocupação também é com as pastagens. A falta de chuvas atrasou o plantio das lavouras de aveia e aquelas que foram plantadas logo após as intensas chuvas registradas no início de junho se encontram com crescimento prejudicado. De acordo com o técnico da Epagri da região, João Zanatta, quando as chuvas se regularizarem, a aveia retoma o desenvolvimento vegetativo até a floração e final de ciclo. As perdas na produção de leite são calculadas em torno de 20%.
 
A produção de trigo na região também deve ser afetada, com expectativa de redução na área plantada. 
 
Programas contra Estiagem
 
O Programa Irrigar incentiva o armazenamento de água em tanques escavados ou ainda em pequenos barramentos com a subvenção aos juros dos financiamentos contraídos pelos produtores rurais.  Desde 2015 já foram investidos R$ 4 milhões em projetos de irrigação para 147 famílias do meio rural catarinense, sendo que a Secretaria da Agricultura responderá pelo pagamento dos juros num valor de R$ 501 mil. 
 
O Programa de Fomento à Produção Agropecuária concede financiamentos, sem juros, para investimentos na produção agropecuária, melhorando o processo produtivo, agregação de valor, desenvolvimento da pesca e da aqüicultura. Entre os itens financiáveis está a construção de cisternas, poços artesianos e sistemas de irrigação.  Nos últimos dois anos, foram 71 produtores beneficiados que investiram R$ 1,41 milhão nesses sistemas. 
 
O Programa Água para o Campo, uma ação do Pacto por Santa Catarina, irá construir 235 cisternas no estado. Os produtores já foram cadastrados e as obras estão em andamento. Mesmo após o encerramento do Programa Juro Zero Agricultura/Piscicultura, a Secretaria da Agricultura continua pagando os juros dos financiamentos contratados. De 2015 a 2017, 386 produtores investiram mais de R$ 12,5 milhões em sistemas de captação, armazenagem e uso de água da chuva, sendo que a Secretaria paga R$ 1,17 milhões em juros. 
 
  
Info: ASSESSORIA DE IMPRENSA - ANA CERON
 

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