Dia de chuva e preguiça

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Ter, 10 de Outubro de 2017 10:39
Sábado. A chuvinha que batia na vidraça, como música, embalava o sono e os sonhos. A casa toda dormia. Não havia o vai e vem, não havia o barulho da máquina de lavar insistente em perturbar o silêncio. Nem o tic tac do relógio ousava atrapalhar o sossego. Só que não! 6:45 da madruga. Sim, para um sábado, sim! Era hora de fazer todo mundo acordar.

Espreguiçar? Não dá tempo. O dia não será de descanso! O desassossego começou:

Móveis sendo mudado de lugares. “Gente, porque me colocar de cabeça para baixo?” Pergunta-se uma cadeira irritada, zonza ao girar do chão para cima da mesa. Cortinas estranguladas pela cintura logo viram um nó e a doideira começa.

Afinal, quem em sã consciência marca uma reforma de piso logo no nascer de um sábado chuvoso?

A folia começa. A argamassa misturada à água ganha forma e uma espátula inquieta vai esfregando cada cantinho do piso. No mesmo instante em que uma poeira branca insiste em se instalar por todo lado.

À medida que os trabalhos adiantam, as nuvens torcidas feito esponja vão perdendo a densidade e a chuvinha gostosa vai embora. Por trás do cinza pálido, aos poucos o sol vai surgindo, convidando a abrir as janelas para deixar o calor secar os rejuntes recém-feitos.

As cadeiras, ainda irritadas, assistem, de cabeça para baixo, ao caos. Olhar pela vidraça, ver o sol lá fora causa aflição. Ainda é sábado, dia de folga, de lazer, de fazer nada.

E a doida que inventou tudo isso vai criando mais e mais confusão: “já que começamos esta bagunça, que tal rejuntar os azulejos do box? E refazer os silicones do blindex?”.

Socorro! Prendam esta criatura! É sábado e todos querem descansar! “O quê? Ela vai sair e deixar a gente aqui nesta bagunça até terça?” - diriam os móveis se pudessem falar vendo uma mala sendo carregada até a porta.

Realmente, às vezes acho que não bato bem da cachola. Mas a vida tem estes embates, preciso fazer a reforma. O pedreiro só pode fazer o trabalho no sábado. Então, mãos à obra! Afinal depois da tempestade vem à bonança.

Mas fala sério: olhar para trás e ver tudo isso dá medo saber que tenho que voltar!

E você, caro leitor, já percebeu que o final do ano está batendo em nossa porta. Boralá! Hora de reformar e faxinar!
 

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