Morre o pescador de almas

Publicado por Anselmo Nascimento
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Seg, 05 de Fevereiro de 2018 15:45
Artigo de Suzi Aguiar - Estamos em luto. Se São Joaquim fosse eleger um único nome para representar o homem do século XX, pela trajetória de vida, 
Blevio Oselame seria ele.

Como uma boa nova, chegou a São Joaquim no primeiro dia do ano de 1957. Segundo ele, o calor parecia fora do comum, talvez pela ansiedade que o acometia diante do futuro desconhecido, talvez pela angústia de saber os problemas paroquiais da comunidade que precisaria enfrentar. Talvez pela longa batina preta, abotoada de cima abaixo, com seu colarinho branco e chapéu de aba larga, que tratou de excluir de seu cotidiano convencendo o bispo que não combinava com ele por ser tão alto.

Mas o jovem recém formado, inteligente, dinâmico e, sobretudo, destemido, não se deixou abater e arregaçou as mangas. Suas ações não foram muito bem vista de imediato por alguns políticos e fazendeiros da época, mas soube se impor conquistar um a um e se tronar respeitado pela população inteira.

Se faz desnecessário relatar as inúmeras obras que realizou por ser um grande administrador. Da mesma forma que todos sabem do quanto trabalhou como um “pescador de almas”, a exemplo de São Pedro, como tão bem o definiu seu grande amigo Luiz Mattos, em depoimento para a biografia.

Sabia o quanto recebeu da vida: “(...) por tudo que Deus me concedeu, o meu muito obrigado. Para chegar aonde cheguei tenho que formular muitos votos de agradecimentos à comunidade joaqunense. Por ter-me ajudado e suportado tantas manhas, que sempre acompanham a vivência humana. Tudo isso foi possível, com a graça de Deus, de ambas as partes e, sobretudo, boas graças das autoridades diocesanas. Foi uma longa caminhada.”

Reconhecia suas manhas, sabia que era exigente. Mas quem não o é em algum momento? Enfrentara tantas coisas nesta cidade por nada mais, nada menos, que sessenta e quatro anos. Fora incompreendido algumas vezes pelo seu jeito autoritário, mas os que o conheceram na intimidade do seu lar e de seu cotidiano, sabem o quanto era amoroso além de tantas outras qualidades que o fizeram um homem ímpar.

Tive o privilégio de estar pessoalmente com ele em várias entrevistas para a biografia patrocinada pelo Jornal Travessia. Me sinto imensamente agradecida por ter ouvido dele próprio tantas histórias, muitas engraçadíssimas, contadas com seu jeito peculiar.

Felizmente recebeu em vida incontáveis homenagens, privilégio de poucos.
 
Dessa forma só nos resta dizer: PA-RA-BÉNS por tudo o que fez e foi!
 
E muito obrigada por ter deixado como legado para São Joaquim sua trajetória de vida.
 
Suzi Aguiar, joaquinense, colunista do Portal SerraSC 

 

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