Céu de cores

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Qui, 08 de Fevereiro de 2018 07:12
No céu, luzes e cores dão adeus e boas vindas a um novo tempo.

Em cada olhar que não desgruda do céu, como filme, o ano velho passa e cenas importantes, enfileiradas, são banhadas pelas lágrimas. Sejam para lavar e deixar escoar de dentro de si as desilusões, as dores, as tristezas. Sejam para regar as esperanças que foram sendo semeadas no tempo que ficou para trás.

As luzes e os sons trazem a tona vidas desfeitas pela rotina que pode corroer, pela amargura e traição; devolvem dores da alma rasgando corações; aumentam dores do corpo que teimam em aniquilar a vida. Perdas de diferentes formas fazem a memória reviver tudo como se estivesse acontecendo naquele instante.

A fome não saciada, o colo perdido, o sonho de um teto, a vontade de sumir do mundo, a saudade da família perdida no momento em que a droga, a bebida ou a prostituição ganharam a batalha... tudo volta e teima em doer de novo. Enquanto outros tantos têm os olhos parados no vazio sem nem ao menos desejar ver a beleza das luzes.

Mas o céu repleto de cores também traz de volta as conquistas: o emprego que trouxe dignidade, o ingresso no curso sonhado, a promoção há muito batalhada. Dá a certeza, em cada jovem, de que sim, ele vai mudar o mundo. Traz a alegria da saúde recuperada; um outro amor que chegou para lavar a tristeza; traz o filho colocado no colo da mãe no momento do parto; o neto dizendo pela primeira vez “vovó”.

São milhões de olhos fascinados, desgrudados do céu somente para se envolver na magia do amor, para se enroscar no mais longo abraço, unir os lábios num beijo apaixonado, renovando o “eu te amo”.

Em cada janela, em cada varanda, quintas, nas praias e praças importantes do mundo, o reviver e o renascer se alternam na memória de todos.

Há os que assistem a festa do mundo todo solitários em seus sofás. Há os que, abandonados em asilos ou sozinhos em suas casa, não têm a quem abraçar. Há os que cobrem a cabeça sem querer pensar na vida, há os que desejam apenas a morte. Há os que não se importam com a data e dormem o sono vazio de sonhos.

Mas a grande maioria se veste de branco, se põe bonita, parece assinar um novo contrato com a vida e com as suas divindades. Enquanto evocadas, alimentadas por todo tipo de crença, a fé é renovada, promessas são feitas, esperanças, reconstruídas.

As luzes se apagam, os fogos cessam e uma nova manhã surge. Quase tudo continua da mesma forma. A lembrança da festa esta na roupa molhada pela chuva, no sapato sujo de areia, nas garrafas vazias espalhadas pelo caminho, na dor de cabeça e na certeza de que tudo continua igual.

De verdade, a esperança foi a grande rainha da festa.
 

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