Ria de si mesmo!

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Qui, 15 de Fevereiro de 2018 07:25
Um dos grandes baratos da maturidade é que não temos mais muitas satisfações a dar.

Na infância a obediência é tarefa árdua. Logo depois chegamos à adolescência e passamos o tempo todo ouvindo: “você não é mais criança para fazer isto” ou “você ainda é muito jovem para fazer aquilo.” E nestes conflitos vamos construindo nosso jeito de ser e de agir.

A juventude chega trazendo a necessidade de afirmação. Nos sentimos adultos e aprontamos todas: por vezes bebemos demais, dançamos e nos divertimos demais. Somos capazes de fazer um diretasso, atravessando noites em claro e com disposição chegar ao trabalhar cedinho. Bem se diz que “jovem é outro papo”.

Até que chega a vida adulta: casamento, casa para sustentar, filhos para educar e uma infinidade de compromissos inadiáveis que nos roubam tempo e vivemos deixando coisas para depois. Na correria encontramos a escassez de amigos disponíveis, mesmo porque ficamos mais seletivos e menos dispostos a perder nosso valioso tempo com pessoas pelas quais não temos grandes afinidades. E esta condição pode nos fazer menos alegres, menos brincalhões.

Os filhos crescem, saem de casa para estudar ou se casar. Os netos chegam e renovam nossos dias. E aí chega a fase das reminiscências.

Passamos a recordar com saudade e rimos do passado. Rimos até das trapalhadas que fizemos durante a vida toda. Talvez aí se encontre um dos segredos do envelhecer feliz. Não lamentar o que se fez ou deixou de fazer. Não se envergonhar dos tropeços que nos ensinaram a levantar. Rir de si mesmo é um antídoto para doenças. Porque rir dos outros é fácil, mas de si é um atestado de “não tô nem aí para o que os outros pensam”.

A fase que antecede a velhice (eu estou nela) nos deixa mais solta, mais livre para emitir opiniões pouco nos importando se ela é ou não antagônica às demais. É um tempo onde não precisamos mais provar nada a ninguém. Nossa experiência de vida aliada a esta liberdade nos faz alegres, soltos, mais justos, mais pacientes.

Nossa história é constituída por erros, acertos, vitórias e derrotas que nos fazem mais fortes. Se depois de tudo o que passamos, que construímos, das asas que generosamente presenteamos os nossos filhos, dos tropeços ou tombos, das vaias e palmas que a vida nos ofereceu, conseguirmos rir de nós mesmos, aí sim podemos dizer que tudo valeu muito a pena.
 

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