Quanto tempo dura uma toalha?

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Seg, 26 de Fevereiro de 2018 17:48

Quanto tempo dura o seca, molha, seca, molha? Difícil dizer! Incontáveis vezes uma toalha vai e volta para o varal. Quando mais velha, mais macia. Ou ao contrário? Macia quando nova, áspera quando velha? Tudo depende dos cuidados que receber pela vida afora.

Abro a porta do armário e, entre todas de uma pilha bem feita, uma única toalha me salta aos olhos. É rosa pink com listinhas finas na barra. 

Fecho os olhos e a memória de quando a compramos volta fácil. Era junho de 2003. A última que comprei para minha filha que, alguns meses depois, mudou de dimensão devido a um acidente de trânsito. A toalha estivera guardada por muitos anos. Só quando o coração já havia se recuperado da ausência, ela voltou a ser usada, como num tributo. 

Abraço a toalha apertada contra o peito. Hoje, especialmente, a nostalgia toma conta. Com ela aconchegada em meus braços sinto sua maciez e perfume e a saudade é quase palpável.

E aí me pergunto? Quanto tempo dura uma toalha usada normalmente? – porque a rosa estivera guardada por muitos anos. Ela está velhinha. E durante todo este tempo em que esteve em uso, guardada e novamente em uso, minha vida deu muitas voltas. Fui imensamente triste, mas corajosa, determinada e forte. Vivi, vivi e vivi cada pedacinho de todos estes sentimentos. Em alguns dias caí, mas sempre tinha alguém para ajudar a me levantar. E nesta trajetória aprendi que ser feliz é possível, apesar de tudo.

Diferente da toalha, que vai ficando com as fibras puídas com o uso, fui ficando forte. Já não tenho nenhum medo. Acho que uma das piores dores que um ser humano pode passar eu também passei. Se outras vierem, mesmo que sejam tão fortes, mais forte estarei para enfrentá-las.

Me incomoda um pouco pessoas que se apegam a bens materiais excessivamente, outras se lamentam de tudo, veem obstáculos em toda parte, se preocupam em cuidar da vida alheia. Algumas acham que seus problemas são grandes demais, que são injustiçadas. Mas no momento em que deixarmos de olhar para o nosso umbigo e enchergamos aqueles que estão a nossa volta, percebemos que nossos problemas são pequenos. Não que não os tenhamos, mas há coisas muito mais difícieis do que superar nossas corriqueiras dificuldades. 

Também não gosto quando vejo pessoas lamentarem muito a saudade de alguém que viajou ou que mora distante. Esta é uma saudade boa de sentir. Porque quando ela não cabe mais no peito é só viajar ao encontro e matá-la com muitos beijos e abraços. Há saudades que jamais findam, mas nem por isso precisamos lastimar a vida inteira. 

Como a toalha, que pode ficar áspera se mal cuidada, nossa trajetória merece e precisa de atenção. Não podemos negligenciar conosco mesmo. As intempéries da vida nos castigam, mas precisamos seguir nosso ciclo. Precisamos evoluir, aprender com as dificuldade e buscar subsídios para amaciar as amarguras.

Será muito bom se conseguirmos ser diferentes de uma toalha velha e áspera. Olhar nossa trajetória positivamente pode tornar nossos dias mais confortáveis e felizes.

 

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