É preciso varrer bem a casa

Publicado por Coluna Vinicius Candido
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Ter, 03 de Abril de 2018 13:42
"Feliz é o homem cujo intelecto se aguçou. Isso é aferível com exemplos múltiplos. Deu mostra de que raciocina bem quem logra retornar ao lar, para o bem dos cidadãos, para o bem dos parentes e dos amigos, em decorrência da inteligência." - Aristófanes, em "As Rãs"

Aristófanes foi o mais importante comediante da Grécia Antiga. Nasceu entre 460 e 450 aC e faleceu em 386 aC. Visionário de seu tempo, foi um escritor de grande espírito intelectual e civil, escreveu grandes obras com o intuito de engrandecer a cidade e, por consequência, o homem; dessas, chegam a nós apenas algumas peças completas, mas não menos gloriosas. Ler suas obras reforça o caráter imbricante entre a literatura, a política e o ser humano.

A obra "As rãs" foi uma comédia por ele escrita em que trata, muito resumidamente, da necessidade de bons homens para ajudar na construção da cidade. Em outras palavras, afirma que é preciso homens capazes e competentes para ajudar na educação dos cidadãos e para fortalecer o vínculo entre a comunidade, tornando-a mais próspera. Este comunicado, ou invocação, se dirige aos homens de intelecto, que têm paixão pelo conhecimento e pela inteligência e querem utilizá-los para o bem da família (do lar), dos amigos e da cidade. Certamente são esses os melhores e mais importantes o homens do país, por isso devem ser estimulados.

Portanto, a inteligência é o princípio básico da cidade, aquilo em que se estruturam as questões fundamentais, as crenças, a educação, o direito, a cultura, a saúde e a política. Pois tudo isso é necessário à cidade. É preciso ter fé na existência e no todo – seja a partir de Deus ou de valores – pois sem fé o homem segue sem rumo, e aquele que vai sem saber onde, não vai a lugar algum. É preciso estar informado e ser amigo do conhecimento – saber das leis, da economia, da formação política, da região, etc. -, e é pela educação que a sabedoria aparece. Estar informado é o primeiro passo para a glória do espírito, do homem e da cidade. É preciso conhecer os ambientes abertos à comunidade para reivindicações e para contestação, pois o conflito e a discórdia também são bons se forem guiados com retidão; a partir disso, a saúde, o ensino e as infraestruturas tendem a serem mais fortes. É preciso utilizar-se da cultura, da tradição, da música, da arte e dos eventos que nutrem os olhos e a cabeça. Pois é preciso o exercício da beleza. E o homem não pode viver sem o belo e sem a paixão.

A sociedade só cresce quando as pessoas conseguem se ver como iguais, quando vejo o meu vizinho como um membro tanto quanto eu sou de um todo maior. E por isso é preciso, repetimos, ter fé, seja em deuses, ou em valores. É preciso deixar a mesquinhez e a cobiça de lado, e exercitar a amizade e a cooperação. A tradição é um valor que une a todos e também deve ser exercitada - mas com cuidado, para que não se observe apenas o passado e caia em excesso de conservadorismo, se esquecendo do presente, fechando-se para o novo. O novo é a porta de entrada para soluções presentes. Mas o novo deve ser impulsionado pela experiência do velho.

Associações empresariais, como exemplo, a CEJESC; a participação na câmara dos vereadores; a promoção de eventos artísticos e culturais; bem como eventos de integração entre investidores e políticos são fundamentais para a promoção da cidade; e por isso se deve ter o esforço de fazer com que o máximo de pessoas possível participe, pessoas comprometidas. Não obstante, com consciência. Não se deve observar e criar eventos e promoções unicamente com a vontade de lucro, pois o Dinheiro é um deus, e promove tanto o bem quanto o mal; e a cidade não necessita apenas de moeda. A execução das solenidades devem prezar pela qualidade e pela virtude, e não pela exuberância ou exibicionismo.

Por fim, tudo isso se pode compreender de uma obra escrita há muito tempo atrás. Isso é o que a sabedoria permite: pensar a vida social a partir de palavras. Isso é a filosofia, é a política e é o direito. Formar grandes cidadãos são os deveres destas. Acima de tudo ensinar a pensar para fazer agir.

Nestes tempos de crise, surgem oportunidades que demandam boas ações. Criar algo no meio da bagunça pode parecer, a princípio, incerto, mas certamente é mais promissor. Deve-se estimular a leitura, a crença na prosperidade e na política. Principalmente na política. É nela que os grandes homens devem estar. Pois sabemos que, nesses momentos, a política está sucateada e cheia de líderes fajutos; sabemos que eles não são grandes homens, mas sim fraquíssimas Rãs. São verdes e estranhos, que coaxam coaxam e coaxam para nada dizer, e pouco fazer. Por isso é preciso bons homens, para varrer as rãs da casa.
 

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