Relação pratinho

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
PDF
Imprimir
Sex, 04 de Maio de 2018 08:46
Relação pratinho é a mais nova invenção dos desavisados para as funções do cupido. Ele, implacável, atira sua flecha para todos os lados e salve-se quem puder. Enquanto a flecha não os atinge, os pratinhos giram sem parar. E assim, as novas relações vão testando gostos e prazeres.

Homens e mulheres solteiras, os recém-saídos de relações fracassadas e até os comprometidos podem se aventurar na noite em busca de diversão. Testando os sabores vão colecionando pratinhos, sem se interessar pelas histórias que permeiam as bordas dos pratos em questão.

Sem o compromisso de um julgador, sem o compromisso em aprovar ou não, as noitadas se estendem madrugadas adentro. Nos bares e baladas olhares se cruzam e o radar do “eu gostei” ou “não gostei” aciona o subconsciente e as relações começam a sair da zona do “será?”

É muito interessante analisar este movimento do tempo: podemos constatar uma leve semelhança entre a coleção de paqueras de tempos muuuito remotos, com os cachos e os ficantes, que agora viraram pratinhos.

Se é que posso estabelecer uma relação entre eles - aqui do alto de minha inexperiência, tendo em vista que há muitas décadas meu pratinho está colado à mesa. Penso que talvez a diferença está no fato de que o ficante é uma relação quase fixa, ou ao menos propensa a fincar raízes. Enquanto que as relações pratinho, ambos, ou apenas um tem certeza de que tudo não passará de uma brincadeira divertida que será descartada em breve.

Ser ou estar apenas girando pratinhos é normal neste momento em que o empoderamento feminino é tão discutido. Empoderar-se nada mais é do que a mulher sentir-se no direito de tomar qualquer atitude sem se sentir culpada, de verdade, não apenas no discurso. Dessa forma, as mais resolvidas com as questões preconceituosas entram no mesmo jogo masculino e saem “passando o rodo” ou girando os pratinhos.

Como feminista que sou, mas ainda não empodeirada - como assim? – fico aqui na torcida para que a figura que irá se machucar na relação, seja ele e não ela.

Abro um parêntese, caro leitor, pra explicar minha posição nesta discussão: Na verdade sou simpatizante do feminismo, embora nunca tenha levantado a bandeira de vez, mesmo porque acho muito saudável algumas das diferenças entre homem e mulher. Mas levantar aqui uma discussão não seria nada promissor. E quanto ao empoderamento, cheguei a triste conclusão que minhas teorias não combinam com minhas atitudes. Sempre que saio de casa para um encontro com amigas, bem no fundinho, fico com pena do maridão que fica sozinho. Sozinho? Será? Pois é, sei que ambos temos o direito e a necessidade de momentos só nossos, mas na hora do vamos ver, meu subconsciente diz “coitado dele!”

Mas voltando aos pratinhos, dou força, vamos lá pessoal! Aproveite antes que uma flecha do cupido acerte em cheio o teu coração e você agarre só um deles e deixei os demais pratinhos se esparramarem no chão. Mesmo porque ninguém consegue mantê-los em segurança por muito tempo. Afinal no coração só há lugar para um sabor muito especial, não?
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

2011 Rodrigo Produções Internet Design - Tecnologia Progressiva para a Internet