Temporada de preguiça? Só que não!

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Qui, 07 de Junho de 2018 14:58
Balde com água, panos e produtos de limpeza, além de vassoura e aspirador de pó serão meus aliados hoje. Neste evento a protagonista serei eu, porque não há material que aja sem a força e dedicação humana na tarefa de deixar tudo limpo e organizado. Aliás, sem falta modéstia sou perita nisso. Mas pensando bem, isto não é nenhum mérito extra, nada mais que uma necessidade, para não dizer obrigação.

Ser humano é bicho esquisito! Se estiver muito atarefado sonha com um diazinho de folga. Implora por um momento de preguiça, com uma chuvinha fina fazendo barulho na vidraça, com um bom livro para fazer perder a noção do tempo ou, quem sabe, com um filme pra esquecer as correrias do dia a dia. Quem nunca desejou isso?

Pois bem, eu sonhava sempre. Mas num período em que, convalescendo de uma cirurgia, e tendo todo tempo do mundo para ficar de papo para o ar, me vi sofrendo a impossibilidade de fazer coisas banais como passar um café quentinho. Se meus “cuidadores” se distraiam, lá estava eu tentando me virar sozinha.

Estou sempre pronta a fazer um favor mesmo que isto dificulte minha vida, mas quando preciso pedir um, sofro. Sempre acho que vou incomodar, penso que não devo chatear as pessoas. Já tentei entender esta minha dificuldade, mas nunca acho uma boa explicação.

Devia ter aproveitado, devia ter curtido não executar nem tarefas bem simples como pegar uma jarra de água, secar louças, estender roupa ou varrer a casa. A ordem era ficar de papo para o ar! Então porque não aproveitei para ver aquele filme indicado há tanto tempo? Por que não curti o período de preguiça?

A vida toda reclamei que mãe e dona de casa não tiram férias, apenas mudam de casa por alguns dias. E aí, porque não aproveitar estas férias forçadas?

No corredor estão meus companheiros de todo dia. Agora não adianta chorar o leite derramado, não resolve sonhar com o ócio, nem suspirar fundo. O balde e toda a parafernália me esperam. Olho para baixo e eles se personificam. A vassoura desdenha de minha burrice, gira insolente em torno de mim deixando-me tonta; o balde com olhar de desdém sussurra: vai guria, ta esperando o quê? Os panos secos ou molhados parecem erguer-se diante de mim zombando da minha má vontade. Chateada olho em volta e penso: Toma Suzi, você merece! A vida segue, a tua chance de ficar na preguiça ficou apenas no campo do talvez: Talvez um outro dia....

Saudade daquela temporada de preguiça? Só que não... Não vai adiantar nada!
 

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