O auge da pesca artesanal

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Seg, 09 de Julho de 2018 09:10
A noite ainda estende sua negritude cobrindo a praia quando os pescadores saem de suas casas para mais um dia de labuta. O amanhecer é muito frio. Mas eles não se importam. São anos e anos enfrentando as águas frias do inverno.

Se o mar não está grosso e se há uma viração sudeste, leste ou nordeste são os primeiros sinais de que a pesca pode ser promissora.

Os dois olheiros se colocam em seus postos, no lado sul e norte do costão, atentos aos movimentos da água. Como sentinelas vasculham as águas buscando indícios de que um cardume avança o arvoredo. Na areia a tripulação fica a espera de um sinal para levar o barco ao mar, para que os demais pescadores do grupo cumpram então suas tarefas.

De repente, oferecendo mais um belo espetáculo da natureza, numa determinada área do oceano as águas escurecem vestindo-se da cor roxa. É um sinal certeiro! Peixes saltam e mergulham agitados como se quisessem despedir-se das ondas que os embalaram até ali.

Do costão panos brancos feito bandeiras são agitados pelos olheiros, apitos tocam e da praia parte a canoa com quatro tripulantes: o “patrão” – do dono da embarcação e coordenador do grupo -, dois “remeros” e um “chumbero”, enquanto na areia o restante do grupo se prepara para puxar a rede. São mais dez, quinze pescadores.

O trabalho mais difícil começa: cercando o cardume eles jogam a rede e, como maestros, sabem qual a melhor posição do barco, da rede e a força necessária que dará o ritmo ao cerco. As tainhas saltitantes buscam a fuga, mas são vencidas por braços fortes, mãos ágeis, experiência e sabedoria nativa passadas de pai para filho.

E chega o momento de arrastar o cardume para a praia e festejar logo cedinho a fartura que chegou. São centenas, milhares de tainhas pulando enroscadas na rede na vã tentativa de mudar seus destinos.

Na areia, curiosos e visitantes ajudam a puxar a rede e vibram eufóricos! Se o arrastão é uma festa, um espetáculo mesmo aos olhos tão acostumados com o ritual, para os ajudantes por um dia, algo indescritível. A quantidade de peixes é repartida. Ao patrão cabe 50% e os demais participantes do grupo dividem o restante. Os que experimentaram a pesca pela primeira vez a recompensa é uma, duas tainhas e a oportunidade de contar uma boa história de pescador.

Mas nem todos os dias acontece assim. As vezes o cerco falha e milhares de peixes escapam.

Diferente das indústrias, com seus potentes barcos a motor, grandes redes, binóculos e até drones, a pesca artesanal com suas pequenas canoas, remos, rede e a atuação dos pescadores encena um belo espetáculo. A tradição precisa continuar!
 

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