A CASA CAIU

Publicado por Coluna Vinicius Candido
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Seg, 16 de Julho de 2018 13:44
A copa acabou, o Hexa voou e o país está em vermelho, de vexame e necessidade. A falha dos colarinhos verdes, azuis e amarelos não é tão expressiva quando comparada àquela dos colarinhos brancos. Tem-se muito mais a perder quando as lideranças nacionais não sabem para onde passar a bola; ou tampouco sabem o lado certo de fazer gol. O fato é que o colarinho apertou.

Contudo, houve, de fato, uma descrença frente à seleção dos novos jogadores. Como promessas, provaram-se novos demais para compreender a força do poder, dos holofotes, de uma equipe... enfim, a força do futebol. Os jogadores da seleção falharam em crer demais na própria imagem ao invés de acreditar na força dos próprios pés. Faltou maturidade. Pois a juventude é inquieta e casual, uma orgulhosa senhora de si mesma, mas que precisa de guias, mestres e experiência. A juventude precisa ser respeitada e acreditada, mas sob bons exemplos e critérios.

O que faltou aos apostadores da pelota foi responsabilidade. É preciso agir com responsabilidade quando se possui cinco taças mundiais – pois para conquistar o mundo é preciso conhecimento. Responsabilidade traz maturidade, e maturidade, essencial num torneio, se ganha com o tempo, ou se antecipa a ele. Faltou também observar essa antecipação; observar o passado de modo a extrair o exemplo, pois o passado é sábio – e o sábio, responsável: é preciso conhecimento.

Responsabilidade é o termo central. Mas aí, cai-se em vermelho novamente, ou em simulações. A política brasileira se tornou uma simulação. A seleção de colarinho branco não chega nem perto de corolários – coroas de folhas doada antigamente aos grandes imperadores. Os atuais soberanos da pátria protegem seus antigos pares, sanguinários sanguessugas, usurários do bem-viver cidadão. Falta a eles mais que uma taça, um campeonato, um momento; falta aos brancanários conhecimento e responsabilidade civil.

Sabe-se muito bem que o poder, a gestão do Estado, é uma moeda de ouro, mas com dois lados. Sabe-se dos seus vícios, das corruptelas e das patifarias. Mas poder também é indulgente, concessor e benfeitor para a sociedade. Falta ao aviário, onde estão os canários brancos, a responsabilidade, a maturidade e o espírito. Espírito de grandeza, de crescimento e de força. É cair novamente em faltas, em impedimentos e em derrota se for mantida a crença nos políticos de discurso equivocado e apelativo, falastrões incapazes de debater dignamente as questões estruturais, econômicas e sociais do país. Precisamos de um capitão nobre e meritório.

Um time é um país. E tanto um quanto outro não podem sobreviver a uma partida importante com jogadores antigos e cansados, jogadores que são evidentes: ou vão puxar para a esquerda e chutar, ou pedalar para a direita e soltar o pé. É preciso jogadores que façam o básico quando preciso e a finta, o drible, quando util.

Doou-se o sangue e a camisa, parou-se as ruas para observar o desempenho do país, seja em greves ou em jogos. O povo está vivo, e precisa estar ativo. Há torcida, e adora-se o espetáculo. Mas o que tem se apresentado não é uma grande execução, catártica, educativa e inspiradora, como deveria ser. Tem-se apresentado para a multidão, no máximo, um ato circense, onde os palhaços fazem papel de ridículos. A casa caiu e é preciso arrumá-la; em tempo de eleições, é preciso liderança. O gol marcado, será a favor ou contra?
 

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