O que São Joaquim tem a ver com o incêndio do Museu Nacional?

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Ter, 18 de Setembro de 2018 14:27
O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, no início do mês, deixou em cinzas muito da história do Brasil. Todos nós lastimamos. Entretanto, a família Bleyer sentiu especialmente a perda dos estudos científicos de Georg Carl Adolf Bleyer.

O vovô Bleyer, como era chamado por seus netos e bisnetos, segundo contava minha mãe, dona Mafalda, era um homem inteligentíssimo, culto e de educação refinada. Exemplificava o extremo disto, contando que ele jamais dava as costas para seu interlocutor quando se despedia.

Nascido em Hannover, Alemanha em 1867, chegou ao Brasil em 1892, residindo primeiro em Blumenau. Mas que, por ser médico, morou em diversas cidades catarinenses, inclusive em Lages, cidade onde se casou com Adelaide Neves. Teve 11 filhos. Entre eles, Thássilo Neves Bleyer, meu avô, que em São Joaquim constituiu sua família.

Mas o que vale contar aqui é que ele fora um respeitadíssimo cientista e um dos precursores da arqueologia do nosso estado. No Museu Nacional estavam expostos seus achados, fruto de suas pesquisas datadas do final do século 19 e início do século 20. Pesquisas estas, realizadas especialmente em matas e grutas, sendo publicadas em 1918 / 1920 como: “Contribuições para o estudo de trogloditas das cavernas do planalto do Brasil”.

Com recursos próprios custeava suas pesquisas, formando uma grande coleção de achados arqueológicos, fosseis humanos e instrumentos rudimentares. Foi destaque como médico higienista e, também médico militar. Descobriu a doença de Chagas em Santa Catarina e assim, trocava conhecimentos com Carlos Chagas, cientista que descreveu no Brasil uma doença parasitária tropical e que, por isso, em 1909 recebeu seu nome.

Em São Joaquim, em 1914, se embrenhava pelo interior de grutas buscando evidencias que o ajudassem a esclarecer a origem do homem no Brasil. Aqui encontrou espécimes considerados por ele, como pertencentes a uma época geológica muito remota. Buscava evidenciar que há milhares de anos, homens da caverna viveram no Brasil, tal qual os trogloditas da era quaternária.

Vovô Bleyer tinha muito prestigio junto à comunidade científica do Museu Nacional. Mas suas pesquisas e achados foram doados também para o Natural History Museum de Londres, Provinzial Museum de Hannover, Escola Real de Mediciana de Dublin, Irlanda e outras instituições medicas ou arqueológicas da Europa.

Torcemos agora para que ao menos as pesquisas tenham sido digitalizadas pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro. Vale a pena ler: https://ndonline.com.br/florianopolis/coluna/carlos-damiao/pecas-de-arqueologo-catarinense-estavam-no-acervo-do-museu-nacional
 

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