Pesquisadores afirmam que araucária está longe da extinção

Publicado por Anselmo Nascimento
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Sex, 24 de Maio de 2019 11:55
Serra Catarinense - Uma proposta viável do ponto de vista ambiental, técnico, jurídico, político, econômico e social, mas ainda assim com diversos entraves para sair do papel 
e transformar em capital os milhões de hectares de florestas nativas. Assim pode ser definida a situação do manejo sustentável da araucária, tema de uma audiência pública da Câmara de Vereadores de Lages, realizada na última sexta-feira (17), no Teatro Municipal Marajoara.

Proposta pelo presidente do Poder Legislativo Lageano, vereador Vone Scheuermann (MDB), a audiência teve uma mesa de trabalhos seleta, que envolveu diversos atores que compõem a discussão nas três esferas do poder, no conhecimento científico e também foi abrilhantada com a participação expressiva do público presente, onde mais de duas dezenas de produtores rurais, políticos, professores, estudantes e líderes da sociedade civil organizada de Lages, Capão Alto, Correio Pinto, Painel, São José do Cerrito, entre outros, expuseram suas experiências e opiniões sobre a questão.

Manejo das espécies nativas
 
Ver aprovado o manejo das espécies nativas é o sonho da vida do engenheiro florestal Nilton Schneider, autor de 16 projetos de manejo sustentável protocoladas no Ibama e um dos grandes responsáveis pela realização da audiência pública. Ele citou uma própria portaria do Ibama, de 1999, a qual cita que para ser considerada em extinção, a ocorrência deve ser de duas ou menos espécies por hectare. Um estudo de sua autoria, datado de 2004, expõe que a araucária tem uma incidência de até 162 árvores por hectare.

Schneider aponta que somente a região serrana de Santa Catarina possui mais de 10 milhões de araucárias com diâmetro acima de 40 centímetros, representando cerca de cinco milhões de metros cúbicos de madeira, o que pode movimentar mais de R$ 5 bilhões. “A liberação do manejo florestal sustentável trará de volta o agricultor para suas propriedades, propiciando renda para seus familiares e algo em torno de 26 mil empregos para a área”. O engenheiro apresentou uma proposta de reposição de cinco a dez árvores para cada abatida. “Manejo é conservar e saber usar”, defende.

Engenheiro Florestal e professor do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), André Hess apresentou um estudo de 19 anos (1999-2018) sobre a araucária. Entre os pontos que citou, destaca-se o fato de que a araucária não se encaixa em nenhum dos critérios para estar em extinção, uma vez que tem uma grande população e possui uma tipologia de floresta ombrófila mista, não de mata atlântica, bioma ao qual está inserida segundo a legislação vigente. Inclusive, neste ano, o Consema-SC precisa contratar um estudo para manter a espécie entre as ameaçadas de extinção. Caso contrário, ela estaria liberada.

Pela sua teoria, existe uma alta competição na própria espécie devido à falta de espaço para o crescimento das árvores de menor diâmetro, algo que poderia ser resolvido com o manejo. “Nessa linha de crescimento, vai levar 90 anos para atingirem os 40cm de diâmetro (propício ao corte) ou nem vai chegar. O que pode acontecer é que as maiores vão definhar e as demais não vão chegar ao ponto de desenvolvimento”. Para Hess, o manejo vai conservar a espécie e a estrutura da floresta, minimizar a estagnação do crescimento, contribuir para a diversidade das espécies, reduzir a competição, aumentar a regeneração e regular a produção de pinhas. A proposta dele já foi encaminhada à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), a qual prevê um acompanhamento bienal das propriedades manejadas.

Info: Cris Menegon
 
 
 

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