A simplicidade que encanta

Publicado por Coluna Suzi Aguiar
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Seg, 01 de Julho de 2019 18:34
A simplicidade que encanta

Época em que os olhos brilham e o imaginário infantil volta num saudosismo sem fim. Os vestidos de chita, chapéu de palha e jeans remendados, tranças no cabelo, muitas pintinhas ou bigodes de lápis complementam os looks. A festa já pode começar – ou apenas as reminiscências deixo aflorar!

Lembro dos pirulitos de dona Cedilha, dos pacotinhos de pipocas do João Orlando, da lata de amendoim do Torradinho vendidos ali junto à cerca do Manoel Cruz antigo. Enquanto no pátio interno, havia a pescaria cheia de presentinhos simples, mas que dava um prazer enorme ganhar. Lembro da barraca das surpresas onde nos menores pacotes estavam os melhores presentes, mas que nosso instinto nunca escolhia por puro olho gordo.

Depois, na adolescência, passávamos tardes inteiras decorando as salas de aula com bandeirinhas e balões de papel. Como esquecer da barraca do beijo e dos recadinhos amorosos que faziam rir ou chorar?! “Doce de festa junina é canjica, mas você é a menina mais doce desta minha festa” ou “Quando coloquei meus olhos em você, São João acendeu a fogueira no meu coração” ou ainda “Como na quadrilha também estou precisando de um noivo como você”.

E as simpatias eram tantas nas festividades de Santo Antônio, o casamenteiro! Três feijões eram os aliados para saber se casaríamos pobres, ricas ou remediadas: Tirávamos a pele inteira de um feijão, a metade de outro e deixávamos o terceiro inteiro. Colocávamos embaixo do travesseiro e na manhã do dia 13 tirávamos um sem olhar. Ou num prato fundo com água, pingávamos sebo de vela e o colocávamos no sereno. Na manhã a letra inicial do nome do futuro marido se formava. É logico, nosso imaginário enxergava a letra que queríamos ver. Será que as meninas ainda fazem simpatias?

Desde sempre na panela, a calda de açúcar e o amendoim torrado são vedetes. Pé de moleque nunca pode faltar! Mas tem o milho verde, o cuscuz, a cocada, a pipoca. E, claro, o pinhão. Da grande panela de alumínio exala o cheiro da canela em pau, das cascas secas de laranja, do vinho ou da cachaça. Claro, ponche, que em lugar algum é igual ao de São Joaquim, ou quentão também não podem faltar. Mas e a canjica, o arroz doce e a paçoca? Tranquilo, há espaço para tudo. A boca saliva só em pensar nas gulodices desta época do ano.

Pelo Brasil afora as festas juninas, que às vezes viram julhinas, são comemoradas. São de origem de países católicos. Foram trazidas pelos portugueses em comemoração aos três santos, São João, São Pedro e Santo Antônio e são muitas as lendas que pairam sobre elas.

Nas regiões Norte e Nordeste, especialmente, é uma época de muita diversão, já que por lá a tradição é muito mais elaborada com disputas de danças da quadrilha. Eram antigamente comemoradas em agradecimento aos santos pelas chuvas que traziam vida para a vegetação. Atualmente a fartura vem como resultado das milhares de pessoas que curtem este aspecto do turismo nacional.

A festa caipira é a essência da nossa tradição. A simplicidade e a alegria se misturam à dança e a comilança. Nelas não precisamos fazer pose. Ninguém se sobressai aos demais pelo que veste, apenas pelo tanto que se diverte dançando, rindo, comendo.

Boralá, pessoar! “Olha a cobra!”. “É mentiraaaaa!”
 

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