Jornalista tem WhatsApp clonado

Lages – A jornalista Eduarda Demeneck foi vítima de clonagem do seu WhatsApp. Ao clicar num link ela deu chance para os golpistas terem acesso à rede social. A abordagem ocorreu na quinta-feira (6). “Me ligaram perto do meio dia, se passando por assessor da deputada federal Carmen Zanotto. A pessoa que estava na linha disse que teria, no fim de semana, uma festa realizada pela deputada e que meu nome estava na lista de presença, pediu pra eu confirmar a presença no suposto evento. Disse que não estaria aqui em Lages no fim de semana, aí a pessoa informou que um código havia sido enviado no meu celular e que eu precisaria passar o código para que ele tirasse meu nome da lista”, conta. Foi assim que o golpista conseguiu ter acesso ao aplicativo.

Eduarda explica que na hora o whats parou de funcionar e percebeu que havia sido vítima de um golpe. Eles pediram dinheiro para alguns contatos dela e pra outros mandaram links, provavelmente para que clonassem outros celulares. Assustada, Eduarda avisou o maior número de pessoas que conseguiu, fez postagens nas redes sociais (facebook e instagram) para que soubessem que seu whats tinha sido clonado. “Só consegui barrar os golpistas uma hora depois. Apesar de bloquear meu número na operadora eu precisei mandar um e-mail para o suporte do WhatsApp para que eles desativassem a conta”, salienta.

A jornalista destaca ainda que teve dificuldades para bloquear o golpista. “Desativei o chip mas ainda não havia segurança. A operadora me avisou que o aplicativo poderia continuar em operação, pois atua de uma forma independente, basta ter internet”. O whatsapp dela voltou a funcionar um dia depois.

“Me senti invadida.Tive minha vida escancarada apesar do golpista não ter acesso às conversas anteriores. Ter meu nome sendo usado por outras pessoas com má intenção foi desesperador. Graças a Deus ninguém caiu no golpe. As pessoas se ligaram que se tratava de um golpe”, diz ela.

Golpes cibernéticos
A onda de golpes cibernéticos cresce a cada dia, um mais audacioso e sofisticados do que o outro. Segundo o especialista em tecnologia em nuvem da empresa Platon, Eduardo Broering, existem muitos tipos de crimes cibernéticos e sempre são praticados por pessoas com agilidade de comunicação. O ponto é que realmente as pessoas criam o senso de anonimato e, a partir disso, fazem coisas que normalmente não fariam no “mundo real”. Ninguém está seguro.

Eduardo explica que há diversos tipos de golpes (phishing, smishing, vishing, entre outros), alguns mais complexos e outros mais simples. Ele especifica em seu Blog Platon como cada golpe é aplicado.

Phishing
Para ele o Phishing é o mais comum, pois é recebido quase que diariamente por emails. Porém, normalmente os serviços de emails dão conta de amenizar este risco direcionando mensagens de phishing para a caixa de spam. O assunto do e-mail varia muito neste caso, mas o comum é que a mensagem se passe por serviços que você já utiliza na internet ou que estão em alta nos noticiários (ex.: bancos, marcas famosas, bitcoin, etc.).

O Phishing ainda pode induzir você ou os seus colaboradores a acessar links que levam a ataques ransomware nos seus dados. E se você não possui nenhum backup de seus dados o impacto disso pode ser catastrófico. Por isso você deve dar muita atenção a este tipo de golpe. Trabalhar a conscientização entre os colaboradores é uma das maneiras mais eficazes de combater essa “técnica” maliciosa, mas não pode ser a única.

Smishing
Segundo Broering, neste tipo de ataque a comunicação ocorre por SMS ou mensagens de texto enviadas para o celular. Inclusive através de aplicativos de mensagens instantâneas: whatsapp, messenger, etc. Neste golpe, o criminoso utiliza o número da verificação em duas etapas do aplicativo WhatsApp para se conectar na sua conta como se fosse você. A partir disso, ele pode ter acesso a todas as conversas que você teve no aplicativo. Assim como enviar mensagens para seus contatos como se fosse você. E aí o perigo se estende para seus conhecidos também.

Conclusão
A dica mais importante de todas é evitar clicar em links recebidos no seu e-mail e celular sem absoluta certeza de que são confiáveis. Existem técnicas nestes golpes que fazem com que o e-mail/telefone de origem apareça como alguém de sua confiança. Então desconfie. Na dúvida, faça contato por voz com o seu conhecido e confirme se ele realmente te enviou as mensagens. Se ele enviou, busque entender o porque disso, pois ele também pode estar sendo vítima de algum golpe.

Parlamentares também foram vítimas
Assim como a jornalista Eduarda Demeneck, a primeira-secretaria da Câmara dos Deputados realizou ação conjunta comunicando tentativa de estelionato. O comunicado do Departamento de Polícia Legislativa (Depol) diz que os gabinetes dos deputados, em Brasília, e seus escritórios nos estados têm sofrido com tentativas de estelionato.

Nas ocorrências mais recentes, com o pretexto de convidar os parlamentares para falsos eventos e jantares, os fraudadores solicitam que as vítimas cliquem em links maliciosos ou forneçam códigos enviados aos celulares. Ao realizar qualquer um desses procedimentos, a vítima permite o acesso dos fraudadores ao celular. Os bandidos, então, por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp, passam a solicitar a transferência de quantias em dinheiro aos integrantes da lista de contato da vítima.