Não está tudo bem, mas vai ficar

por Suzi Aguiar

Esta é uma esperança que não quero perder, embora neste momento minha cabeça esteja presa em labaredas de angústia e de decepção. Na verdade, a gente já sabia que a possibilidade de voltarmos quase ao ponto de partida estava nos rondando, mas a constatação, ainda assim, foi dura.

Por um bom tempo vimos o sonho ir tomando forma e virando realidade. Assistimos a tubarões da corrupção presos na rede da justiça e a impunidade perdendo força. Cenas inimagináveis foram se desenhando em frente aos nossos olhos grudados na TV e, orgulhosos de sermos brasileiros, vimos mãos algemadas, passos incertos e cabeças não mais erguidas. Sim, os ladrões de colarinho branco estavam finalmente acuados.

Mas as tramas que envolvem justiça e poder são tantas! As armadilhas das leis, tão bem redigidas por aqueles que sabem como proteger a si próprios, nos deixam a mercê de suas falsas verdades.

Este é um momento muito difícil para os brasileiros. Todas as brigas e provocações que infernizaram nossa vida desde a prisão de Lula e antes das últimas eleições, mas que de certa maneira haviam diminuído, parece que pairam de novo as redes sociais.

Como em dia de céu cinzento, sou prisioneira da minha tristeza. Sinto um vazio no peito, um não querer falar nisso, uma sensação de impotência e aniquilamento. O povo vai às ruas para brigar entre si, defendendo políticos, mas fica sentado assistindo, inerte, aos desmandos dos ministros do STJ. Para alguns deles é normal mudar o voto dependendo das circunstâncias e do momento. Como acreditar na justiça? O que fazer quando aqueles “macacos velhos” fazem só o que lhes convém em detrimento dos anseios da nação?

Sinto saudades da coragem da juventude dos anos de 83 e 84, quando saíram as ruas lutando pelas “Diretas Já”. Mas nesta nova era, décadas depois, com a internet conectando o mundo de ponta a ponta, a rebeldia dos jovens parece que se resumiu a ponta dos dedos e não tivemos lideranças capazes de levar multidão para as ruas. Sem movimentos significantes deixamos os Ministros do Supremo Tribunal livres para dar o seu sim ou não, alheios à vontade da maioria do povo.

Aqui, quieta no meu canto, ouço o meu silêncio. Ele está cheio de gritos e súplicas por um Brasil mais justo.

Não está tudo bem, mas vai ficar. Gostaria de acreditar!

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