Tobias Gonçalves Padilha o Mensageiro da Montanha

Bom Jardim – No ano de 1942 iniciou em Bom Jardim da Serra uma história de trabalho e dedicação
de uma personalidade marcante e indispensável para o desenvolvimento da Serra Catarinense chamado de Tobias Gonçalves Padilha “O Estafeta” da Serra do Rio do Rastro.

Nascido em Bom Jardim da Serra no ano de 1915, Tobias Gonçalves Padilha, conhecido também por seu Aristides, desbravou a Serra do Rio do Rastro e contribuiu muito para o desenvolvimento desta região. Trabalhou como o Mensageiro da Montanha, enfrentando todos os riscos e aventuras que a serra lhe proporcionava.

Conta seu Tobias:

Que havia muitas dificuldades em realizar o seu trabalho, sua vestimenta era a bota a capa campeira e o uniforme do correio amarelo, semelhante aos usados nos dias de hoje. Levava em torno de um dia para buscar as mulas na localidade de Barrinha, para viajar no dia seguinte. A cada 5 dias ele descia a serra, em torno de 10 horas da manhã e chegava em seu destino somente às 19 horas, utilizava apenas duas mulas para lhe
acompanhar em sua incansável tarefa, a sua viagem era solitária, levava seu lanche e fazia uma parada para sestear e esquentar o peito com uma típica cachaça na localidade de Cerro Pelado.

Em seu trajeto encontrava algumas tropas de gado e porcos que levavam charque e queijo para as regiões litorâneas e sentido São Paulo, precisamente para Sorocaba, de onde traziam diversos mantimentos para o alto da serra, como açúcar, farinha e tecidos. Em suas descidas e subidas era comum utilizar um desvio pela Serra do Oratório, o qual facilitava o seu percurso de acordo com o tempo.

O tempo bom era um fator determinante para o bom andamento de sua atividade, seu Tobias enfrentou muitas tempestades, ventos fortíssimos, neve e a perigosa serração que na maioria das vezes dificultava muito, pois não enxergava nada e tinha que guiar-se somente pelas pedras da estrada. Em sua trajetória existia muito pouco moradores, apenas dois comércios no “doze” o que complicava muito em dias de tempestades. Conta ele que por três vezes foi impedido de subir por causa de enchente embaixo da serra. Seu Tobias pernoitava na casa de um amigo chamado Chico Leandro, e suas mulas ficavam em um terreno do seu Chico também, próximo a caixa de carvão. Em seu relato ele diz que chegou a subir com 60 malas, as quais entregava para o sr. Juventino José Velho, que era quem levava as correspondências até São Joaquim.

Um fato interessante em uma de suas viagens, onde encontrou uma sortista (cigana) que lhe falou que no final de sua vida, seu Tobias teria melhores condições e todo o sofrimento daquela época ficaria para contar para seus netos. Conta também que não sente saudades da época, pois passava muito trabalho, quase chegou a desistir mais ai veio uma promoção o chamado “guarda fios,” enfim, questionamos o que mais lhe fez feliz e o seu Tobias respondeu sem pestanejar, com toda certeza foi ser abençoado em seu casamento com Iracema Proença Padilha, que foi à fortaleza quando eu mais precisei. Serei eternamente grato a minha amada.