“Viu, sentiu compaixão, cuidou dele”

Por Suzi Aguiar

Com a chegada da quaresma recomeça o tempo de penitência, de mais oração e caridade. Tempo de mudança interior, de nos aproximarmos de Deus.

Este ano o Tema da Campanha da Fraternidade – “Fraternidade e vida: Dom e Compromisso” – vem nos apontar caminhos para que exerçamos o cuidado entre as pessoas, as famílias, na comunidade e no planeta. Já o Lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” nos reporta para os exemplos de vida, amor e de entrega de Santa Dulce dos Pobres, cuja solidariedade junto às pessoas em situação de miséria e vulnerabilidade delinearam a existência. Poderia haver exemplo mais belo a ser seguido?

Para os cristãos é premissa ser solidário e atuante junto aos problemas ao seu redor. Assim foi Jesus, viveu a serviço dos pobres, doentes e necessitados.

Ainda é comum encontrarmos pessoas que se sentem superiores às outras. Mas cada vez mais a empatia com a dor e o sofrimento alheios é virtude admirada. Ter compaixão e ternura por aqueles que estão a margem da sociedade é se aproximar do verdadeiro “ser cristão”. Entretanto, um percentual muito pequeno da sociedade tem esta grandeza.

O que fazer então? Se eu não estiver engajado em ações solidárias estarei fora da proposta deste ano?

Não! Podemos fazer pequenas ações. Que tal começar este cuidado com aqueles a sua volta? Cuidar dos pais idosos, de tios solitários, de um vizinho que precisa só de atenção? Que tal oferecer um prato de comida, um remédio, um sorriso para o pedinte que passa a sua porta?

Façamos a nossa parte denunciando injustiças, maus tratos, indiferenças e todo tipo de violência. Cuidar da vida no sentido mais amplo da palavra, fortalecendo as relações humanas. Partilhando um pouco de nosso tempo, um pouco do pão nosso de cada dia com quem precisa nos faz verdadeiros filhos, a imagem e semelhança do Pai.

Vejo pessoas fazendo diferentes sacrifícios na quaresma. São comuns as que deixam de tomar bebidas alcoólicas, de comer chocolates ou tomar refrigerantes. Fazer jejum é oferecer sacrifício a Deus. Será que não faria diferença aos olhos d’Ele oferecer o cuidado com alguém necessitado?

Dá para começar cuidando de si mesmo. Não dar trabalho ou preocupação para os que nos rodeiam já é um bom começo

***O cartaz mostra um desenho de Irmã Dulce, junto com crianças e idosos, nas ruas do centro histórico de Salvador. O cartaz também apresenta, ao fundo, o Pelourinho, lugar icônico da capital baiana.

Publicado em 28 de fevereiro de 2020