Alfabetizar é como acender a luz

Por Suzi Aguiar

Neste dia 8 comemorávamos o dia da alfabetização. É uma data importante para se pensar no índice de analfabetos, na qualidade da formação das crianças brasileiras e no papel do alfabetizador para a educação do país. Talvez muitos deles nem saibam de sua importância.

Também a grande maioria das pessoas não sabe o quanto um alfabetizador precisa estudar para estar apto a intervir adequadamente para que a criança se desenvolva. Entretanto, o conhecimento cientifico das diferentes pedagogias e psicologias da educação, não são suficientes se o fazer pedagógico não estiver permeado pelo amor e pela paixão que torna o professora um anjo, uma artista, palhaça, psicóloga, amiga, mãe. Aquela que acolhe, que cuida, que protege, que instiga, que encanta, que ensina…

Mas uma coisa é certa, se a professora não tiver muito estudo, mas tiver muito amor pelo ato de ensinar, certamente instigará a criança a querer aprender. Mas se só tiver estudo e faltar o encanto, poucas marcas deixará em sua caminhada.

Bem no inicio do magistério eu já me identifiquei com as crianças pequenas. Embora eu tivesse trabalhado com alunos dos anos finais e também do ensino medio. Mas alfabetizar sempre foi minha paixão. E, num determinado tempo eu optei por ficar nesta faixa etária. Na verdade não foi bem uma opção. Eu tive o privilégio de ser escolhida pela maioria dos pais e todo inicio de ano minhas turmas acabavam ficando enormes. Mas deixando a modéstia de lado, eu fazia por merecer.

Fui uma professora apaixonada pelas crianças, pela escola. Adorava usar giz muito colorido, daqueles que a escola não fornecia. Gastava uma boa parte do salário comprando materiais, figurinhas, adesivos, coisas que deixariam minhas aulas mais atrativas. Lembro que a noite, deitada, eu ficava imaginando brincadeiras e surpresas para os deixar entusiasmados pela descoberta. Haviam infindáveis competições envolvendo números e letras e a aprendizagem era pura brincadeira.

A beleza de você encaminhar as crianças para o mundo do conhecimento é algo indescritível. Amava dar pistas de como juntar letras e formar palavras, ensiná-las a raciocinar, a descobrir que podiam juntar quantidades, estimar resultados de problemas simples como contar quantos passos precisavam dar para caminhar 3 metros e depois entender porque o colega precisava de uma quantidade diferente da sua. Eles amam fazer excursão pelo pátio da escola, selecionar e agrupar as folhas por tamanho, forma e cores.

Fomentar a curiosidade, o olhar atento para as pequenas coisas, como a variedade das cores e formas das flores, a leveza do voo da borboletas, a importância das minhocas, a diferença de uma animal domestico e selvagem, o cuidado com o planeta…

Mas o traço mais bonito de como marquei minha trajetória era a alfabetização através das histórias e dos livros, nossos companheiros diários. Me orgulho de dizer que fui uma “criadora de leitores”. Meu legado.

Alfabetizar é despertar sonhos, instigar curiosidades, levá-los a descobrir o mundo.

Alfabetizar vai muito alem do ensinar a ler e a escrever. E eu tive o privilegio de abrir as portas para o mundo do conhecimento a centenas de crianças. E mais privilegio ainda, de estar ainda hoje na memória de muitos deles.

Publicado em 13 de setembro de 2020.