O Parque da Maçã irá morrer?

Por Vinícius Candido

Me pergunto se a Cultura joaquinense está morrendo, ou apenas esquecida…
Como cidadão apaixonado pela cidade que sou, tenho a preocupação com nosso
histórico Parque Nacional da Maçã e o CTG Minuano Catarinense, os quais visitei, no último
final de semana, e o vi com algumas construções abandonadas, sem janelas e digno de
desprezo para que não o conhece.

Uma cidade como a nossa, merece tal desprezo e abandono? Certamente não.
Possuindo muitas belezas naturais, um interior vastíssimo e rico, uma tradição belíssima de
laço, música e comida, dignas da virtude , não pode deixar ao léu um espaço tão útil ao
cidadão joaquinense. É preciso reconstruí-lo e renová-lo, dar-lhe vida!
Marca da História de São Joaquim, já recebemos no local muitos eventos, festivais,
festas e leilões, nos quais podemos conhecer mais da produção da região, da sua
economia e da pecuária. Aliás, ainda estamos recebendo. Apesar disso, percebi o pavilhão
da maçã e algumas outras casas do Parque com vidros quebrados, madeiras apodrecidas,
calçadas e estradas mal cuidadas . O valor da nossa tradição está no cuidado que temos
com ela.

Em Maio de 1993, o Jornal Mural publicou algumas ideias que projetavam novas
atividades para o parque da maçã, algumas das quais ainda seriam úteis para a convivência
e melhoria do local. Eram elas: “Casarão do turista”, no qual, projetava-se a venda de maçã,
queijo frescal, pinhão, produtos derivados da maçã, artesanatos e roupas em lã de ovelha,
exposição de artistas locais, fotografias, centros de informações e palco para apresentações
artísticas; “Cancha do CTG”, na qual se deixaria cavalos para aluguel; “Rancho Verde”, com
um restaurante com comidas típicas da região; e por último, o “Lago”, reaproveitamento do
espaço para instalar pedalinhos de aluguel.

Essas ideias já foram implementadas em outras cidades, como Gramado por
exemplo, e sabemos que deram certo, a procura é constante e o desenvolvimento vem em
conjunto. É preciso, portanto, que os cidadãos se unam, junto com a prefeitura, que muito
tem feito pela cidade e muito precisa fazer, para reavivar nosso espaço público e a vida
pública, ajudando desse modo a estimular o crescimento da cidade no turismo, na cultura e
na sua economia.

Em meu nome, me disponibilizo para ajudar no que for preciso para a sua
reestruturação. Se o momento não é propício para a realização de grandes eventos, devido
à pandemia, é propício certamente para a reconstrução do espaço. São Joaquim não pode
parar! Acreditamos no povo joaquinense e no nosso potencial.

**Vinícius Cândido, Joaquinense, Cientista Social (em 11 dez 2020)

Foto: Reprodução Jornal Mural, maio 1993