Queijo Serrano conquista Selo Arte SC

Bom Retiro – “O Selo Arte vai nos dar mais opções para comercializar nosso queijo. Com este selo, nos tornamos a única queijaria de Santa Catarina com esta certificação e estamos credenciados para vender nosso produto em todo Brasil”. A declaração é do produtor rural Air Zanelato, que junto com sua mulher, Jacinta receberam a certificação na manhã desta quarta-feira (16 de setembro).

A entrega do documento aconteceu na propriedade Santo Antônio, localidade Barreiros, interior de Bom Retiro. O secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo de Gouvêa e o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Fernando Schwanke, conferiram a certificação para o queijo artesanal serrano Santo Antônio.

Ao lado da mulher, o produtor explicou que o foco não é quantidade de produção, mas a qualidade. “Produzimos um queijo por dia, com peso médio de dois quilos. É um produto diferenciado, com 60 dias de cura e que preserva todas as características do autêntico queijo artesanal serrano”, afirma Jacinta Zanelato.

O leite usado para o queijo é tipo cru, de gado de corte mantido em pastagens nativas e seu processamento acontece logo em seguida a ordenha. E respeita toda as boas práticas do saber fazer dos pioneiros na atividade. Para conquistar a certificação, a queijaria Santo Antônio teve o acompanhamento do serviço de inspeção municipal e da Cidasc, que aprovaram a qualidade do produto.

A propriedade é pioneira em Santa Catarina com esta certificação e segundo o secretário Ricardo de Gouvêa, o selo é um reconhecimento ao trabalho do produtor, que agora vai poder vender seus produtos com mais segurança. O representante federal, Fernando Schwanke observou que um dos principais conceitos do Selo Arte é que produtos de alto padrão de qualidade e segurança alimentar não fiquem restritos à pequena propriedade.

“Este queijo artesanal serrano vai com certeza conquistar consumidores de outras partes do país. Ele agrega valor ao trabalho artesanal do agricultor”, reconhece Fernando Schwanke. Para chegar a esta qualidade de produto, a propriedade teve também, o apoio da Epagri, com a assistência técnica, visitas a campo, reuniões de grupo e capacitações em boas práticas agropecuárias e de fabricação.

A coordenadora do Programa de Sanidade de Produtos Agropecuários e Serviços de Inspeção Municipal do Consórcio Intermunicipal Serra Catarinense – Cisama, médica veterinária Andressa Barbosa acompanhou a solenidade junto com autoridades como o superintendente do Ministério da Agricultura em Santa Catarina, Túlio Tavares e o gestor do Departamento Estadual de Inspeção de Produtos de origem Animal, Jader Nones.

Queijaria da propriedade dos Zanelato 

A média de produção do Sitio Santo Antônio é de 2kg de queijo por dia. O rebanho, de raças mistas, é certificado como livre de brucelose e de tuberculose. O produtor também aposta na maturação, que é a transformação pela ação do tempo, como um diferencial para o seu queijo.

Assistência técnica

Air é um produtor que está sempre buscando informações e um estudioso do assunto.  “Produtores como o Air e a Jacinta, que estão sempre preocupados com a qualidade do produto aliada à tradição, nos fazem perceber que estamos no caminho certo, que a nossa dedicação neste projeto tem contribuído de forma bastante relevante para esta atividade, que corria o risco de desaparecer”, explica Cristiane Lopes Couto, extensionista social da Epagri em São Joaquim. Ela assiste a família em parceria com José Kauling Sobrinho, extensionista rural da Epagri em Bom Retiro.

A Epagri dá assistência técnica aos produtores de queijo artesanal serrano por meio de visitas a campo, reuniões de grupo e capacitações em boas práticas agropecuárias e de fabricação. Juntamente com outras entidades, vem há anos buscando a legalização e o reconhecimento deste produto, que faz parte da culinária, da tradição e da cultura do povo serrano. “Também consideramos de extrema importância a participação dos produtores de QAS nas reuniões de grupo Cite – Clube de Troca de Informações e Experiências, onde, além das capacitações conduzidas pela Epagri, eles têm a oportunidade de conhecer e trocar experiências entre as queijarias da região”, relata Cristiane.

O Queijo Artesanal Serrano é produzido há mais de dois séculos e até recentemente conviveu com a informalidade. A aprovação do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade e a sanção da Lei n. 17.003, em 2016, estão mudando esta história, permitindo que queijarias com o SIM ou outras certificações similares possam comercializar sua produção. “Trata-se de um produto diferenciado, inigualável da Serra Catarinense, agora com Inspeção Municipal, Indicação Geográfica e segurança alimentar nas queijarias legalizadas”, finaliza a extensionista da Epagri.

Infos: Onéris Lopes e Gisele Dias