Uma pergunta não quer calar

Por Suzi Aguiar

O tempo continua sua caminhada ininterrupta e não vemos a luz no fim do túnel. Já se passaram mais de cem dias e

a esperança de que tudo passaria logo já se extinguiu. Não que duvidemos que a vacina para o Convid 19 será descoberta. Mas sabemos que o isolamento social e os cuidados ainda nos acompanharão por um bom tempo.

Sou professora, já que dizem que quem foi rei nunca perde a majestade. Sendo assim, meu olhar muito preocupado tem sido para a educação. E, concluo que num país onde os ministros são escolhidos de acordo com a ideologia do presidente e já temos uma coleção dos ex deste governo, torço para que o novo nomeado para o cargo, Milton Ribeiro, finalmente faça um bom trabalho, mas… Com as escolas fechadas e a educação largada as cobras vamos arrastando talvez a maior crise educacional que o país já viveu.

Ter os filhos em casa por tempo integral e sem estarem em período de férias é um algo inusitado. Aliado ao fato de que a maioria dos pais está fazendo home office, todos tem enfrentado grandes desafios.

As mudanças foram enormes também para as crianças e adolescentes, cujo mundo gira em torno do seu querer, onde a brincadeiras e os amigos têm papel primordial. Mas são os pais que pagam esta conta. Estavam acostumados com os filhos em casa apenas nos períodos de férias, quando viajar, passear, sair para comer uma pizza eram programas comuns que acalmava a todos, quando o stress da convivência teimava em pairar.

O que fazer agora, o tempo todo com eles, sem poder sair de casa?

Sabemos que ao irmos para o trabalho deixamos os filhos na escola, temos a segurança de que estão no lugar ideal, convivendo com seus pares e desenvolvendo todo o seu potencial. Orquestrados por uma equipe de profissionais cujo objetivo é exclusivamente propiciar o aprendizado com as mais diferentes técnicas e intervenções. Além do carinho e cuidado dedicados, especialmente, aos menores.

E agora?

Como incentivar as crianças a fazer as tarefas diárias, a assistir as aulas on-line? Como explicar conteúdos que não lembramos mais, ou que nunca estudamos?

E os pais se perguntam: Como competir com o celular acessível o tempo todo? Como convence-los de que não é hora de assistir TV? Como faço o almoço se viro as costas e meu filho larga o lápis e não faz mais nada? Ele não consegue pesquisar nada sozinho, será que na escola também é assim?

Quando as aulas presenciais vão retornar?

Todos estes questionamentos trazem angústia porque não vemos no horizonte a perspectiva. As pessoas estão ficando cansadas. Os pais e mães angustiados. As crianças com saudade dos colegas e das professoras e os adolescentes com saudade da liberdade de ir e vir. Como as dúvidas, os aprendizados também são infinitos.

Mas uma pergunta não quer calar:

Será que os pais continuam valorizando da mesma forma que antes os professores de seus filhos?

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